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1157151 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: IF-SUL
Orgão: IF-SUL
A insustentável sociedade de consumo
Lojas de departamentos de vários andares, shopping centers que oferecem todos os tipos de serviços, boutiques finas que servem champanhe aos clientes, pequenas lojas que vendem toda sorte de produtos por menos de R$ 2,00. Há décadas consumir deixou de ser um simples ato de subsistência para ser identificado como uma forma de lazer, de libertação e até mesmo de cidadania. Homens e mulheres são levados a consumir, mesmo sem necessidade, apenas pelo simples ato de comprar. Para alguns pesquisadores, consumir é indispensável para fazer a economia girar e os países se desenvolverem. Para outros, o consumo desenfreado é uma grave doença moderna, com complicadas consequências para a sociedade e para o meio ambiente.
“As relações sociais escravizaram-se pelo dinheiro e pelo poder de consumo”, afirma Valquíria Padilha, socióloga da Universidade de São Paulo (USP) e autora do livro Shopping Center: A catedral das mercadorias. A socióloga explica que o cidadão foi reduzido a consumidor através de uma série de estratégias que construíram o capitalismo e o neoliberalismo. Como parte dessa estratégia, o Estado liberal(c) foi deixando ao mercado responsabilidades que deveriam ser suas,(c) como fornecer saúde, lazer, educação e infraestrutura de qualidade. A consequência disso é um número cada vez maior de pessoas, principalmente da classe média, pagando, além dos impostos, planos de saúde privados, escolas privadas, pedágios e segurança privada. E conclui: “Quem não tem dinheiro não tem cidadania”.
O consumo acabou se tornando um fator importante de construção de representações sociais. Ao comprar, não apenas se adquire um produto ou um serviço, mas define-se o status, e mesmo a identidade, de um indivíduo. É o “compro, logo existo”, uma forma de o indivíduo posicionar-se – e diferenciar-se – dentro da sociedade através do que consome.
“Aquilo que você veste, come e bebe define socialmente quem você é, onde você está e até onde pode ir. Dessa forma, cria-se um mito cultural: aquele que maiores condições financeiras obtiver ‘irá mais longe’”, destaca Aloísio Ruscheinsky, sociólogo da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). “Os impactos psicossociais dessa lógica de vida são bastante complicados, porque o valor do ser humano(c) é reduzido ao seu(c) poder de compra.
Quem tem carro importado é melhor, quem se veste com roupas da moda é gente de respeito e assim por diante”, concorda Padilha.
Não é preciso apenas consumir para existir, mas é preciso consumir para ser feliz.
Nessa lógica, vale tudo(d) para se realizar um sonho de consumo: fazer horas-extras, “bicos” ou prestações a perder de vista.(d) “É como se os objetos fossem capazes de propiciar o bem-estar social e a segurança que tanto se reclama e proclama”, aponta Ruscheinsky. Assim, busca-se a realização pessoal e a felicidade através do consumo. A sociedade de consumo vende a satisfação dos desejos individuais, mas desperta nos consumidores(b) a cada momento novos desejos a serem satisfeitos, fazendo-os querer(b) (e consumir) sempre mais. “O vazio existencial cavado pela complexidade dos relacionamentos psicossociais não se preenche facilmente com bolsas, celulares e carros. Se a felicidade prometida pela sociedade de consumo fosse real, nós não estaríamos vivendo uma sociedade tão violenta como a nossa. A violência física e a simbólica são frutos da desigualdade e da perversidade da sociedade de consumo(a) que elege os endinheirados(a) como os sortudos da ilha da fantasia”, alerta Padilha.
“O consumo é indispensável na vida de todos os cidadãos. O que está em discussão é a tipologia, o significado e o montante do consumo. Principalmente no que diz respeito às produções que envolvem matérias-primas, há uma crescente preocupação. A finitude dos recursos naturais é evidente e é agravada pelo modo de produção regente, que destrói e polui o meio ambiente”, diz Ruscheinsky. “O consumo é indispensável e cumpre diversas funções sociais, mas, nos níveis e padrões atuais e em expansão, precisa ser modificado em direção a formas mais sustentáveis, tanto do ponto de vista social quanto ambiental”, concorda Fátima Portilho, socióloga da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Texto adaptado de: BUENO, Chris. A insustentável sociedade de consumo. 2008. Disponível em
http://comciencia.br/comciencia/handler.php?section=8&edicao=36&id=429. Acesso em 25 out. 2012.
Quanto ao emprego dos pronomes no texto, é INCORRETO afirmar que
 

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