O texto abaixo servirá de base para as questões 1 a 5.
O SEGREDO DE AUGUSTA
§ III
Os dois ficaram sós.
— Então é certo que estás apaixonado?
— Estou. Eu bem sabia que vocês dificilmente
acreditariam nisto; eu próprio não creio ainda, e, contudo,
é verdade. Acabo por onde tu começaste. Será melhor
ou pior? Eu creio que é melhor.
— Tens interesse em ocultar o nome da pessoa?
— Oculto-o por ora a todos, menos a ti.
— É uma prova de confiança...
Gomes sorriu.
— Não — disse ele —, é uma condição sine qua non;
antes de todos tu deves saber quem é a escolhida do
meu coração; trata-se de tua filha.
— Adelaide? — perguntou Vasconcelos espantado.
— Sim, tua filha.
A revelação de Gomes caiu como uma bomba.
Vasconcelos nem por sombras suspeitava semelhante
cousa.
— Este amor é da tua aprovação? — perguntou-lhe
Gomes.
Vasconcelos refletia, e depois de alguns minutos de
silêncio, disse:
— O meu coração aprova a tua escolha; és meu amigo,
estás apaixonado, e uma vez que ela te ame...
Gomes ia falar, mas Vasconcelos continuou sorrindo:
— Mas a sociedade?
— Que sociedade?
— À sociedade que nos tem em conta de libertinos, a ti e
a mim, é natural que não aprove o meu ato.
— Já vejo que é uma recusa — disse Gomes
entristecendo.
— Qual recusa, pateta! É uma objeção, que tu poderás
destruir dizendo: a sociedade é uma grande caluniadora
e uma famosa indiscreta. Minha filha é tua, com uma
condição.
- Qual?
— À condição da reciprocidade. Ama-te ela?
Machado de Assis
“— Qual recusa, pateta! É uma objeção, que tu poderás destruir dizendo: a sociedade é uma grande caluniadora e uma famosa indiscreta.” Nesse trecho a presença do sinal de pontuação (:) foi utilizado para: