Texto I
Nós estamos acostumados a ver a mídia como quarto poder, ou seja, responsável pela fiscalização das instituições políticas em países democráticos. Muito já se escreveu sobre a importância fundamental da mídia a partir do século XIX na formação de uma esfera pública capaz de submeter os pólos do poder ao olhar atento da sociedade civil. Contra aqueles que têm medo do poder excessivo dos meios de comunicação de massa na definição da agenda política e da pauta de questões sociais, os defensores do caráter profundamente democrático da mídia lembram sempre da importância reguladora da credibilidade, da concorrência e da pesquisa de opinião.
Um meio de comunicação precisa, antes de tudo, ser verídico no trato com a informação, sob pena de ter sua credibilidade massacrada por outros meios de comunicação. A livre concorrência, por sua vez, funcionaria como garantia para uma multiplicidade de visões, que daria à opinião pública subsídios na orientação de suas decisões. O advento de novas mídias, como a Internet e a tevê a cabo, garantiria ainda mais tal multiplicidade, realizando, enfim, o ideal democrático da modernidade. Toda informação estaria disponível a todos.
O que assistimos atualmente é exatamente o colapso dessa visão. A mídia fracassou como quarto poder, o que nos obriga a pensar na estruturação de um quinto poder que venha da sociedade civil e que tenha como função central a fiscalização do poder da mídia.
Vladimir Safatle. O quinto poder. In: Correio Braziliense, "Pensar", 11/10/2003, p. 10 (com adaptações).
Em relação ao texto I, julgue o item a seguir.
A expressão "dessa visão" constitui recurso coesivo que retoma os argumentos que enfatizam os efeitos perversos dos meios de comunicação de massa apresentados no parágrafo anterior do texto.