A questão a seguir se refere ao texto abaixo.
O jornal Washington Post fez uma experiência no metrô da cidade. Um dos melhores violinistas do planeta, Joshua Bell, estava em turnê na capital, e a experiência era a seguinte: ele tocaria incógnito seu violino numa estação de metrô. Um boné no chão recolheria as moedas.
As poucas pessoas que deram algum troco sequer pararam para ouvir. Quando Joshua guardou seu violino (que valia três milhões e meio de dólares) não houve aplausos.
Eis minha experiência no metrô de Londres, anos atrás. Estava de férias e já subia a escada para atingir a rua quando me dei conta do tema que vinha de um sax (na época, Kenny G povoou de saxofones as estações de metrô mundo afora). A canção que chegara a mim não era Kenny G. Era algo suave, que reverberava na memória. Memória antiga e afetiva. O que tocava era Manhã de carnaval, de Antônio Maria, meu conterrâneo. Um autor recifense enchia os ares do metrô de Londres. Desci as escadas correndo. O saxofonista era alto e ruivo, dificilmente seria brasileiro.= Fiquei ainda mais comovido.
Ouvi a música até o fim. Depois, agradecendo a honra, coloquei dez libras em seu chapéu. Ele não acreditou, e achou que eu havia me confundido ao dar uma nota de valor tão graúdo. Gesticulei que não, e segui adiante orgulhoso do talento de minha aldeia.
A ilusão durou décadas, e manteve-se intacta até anteontem. Eu passava entre os computadores do escritório quando ouvi o que vinha do monitor de um colega: a introdução de Manhã de carnaval. Voltei sorrindo e já ia contar o antigo episódio do metrô quando entrou a voz. Sim, era a voz: Frank Sinatra, cantando em inglês. Então era isso. O ruivo magrela não conhecia Antônio Maria coisa nenhuma, e tampouco sabia da existência de Recife ou mesmo do Brasil. Conhecia era a versão americana. Ele tocou Frank Sinatra e eu paguei por Antônio Maria. Na mesma hora tive pena das minhas dez libras.
Enquanto a experiência do Washington Post rendeu um prêmio Pulitzer em 2008, a minha rendeu uma bestagem. O título americano da canção, aliás, é uma carapuça. Chama-se A day in the life of a fool (Um dia na vida de um tolo).
Adaptado de: LAURENTINO, A. Maria. Disponível em:
andrelaurentino.blogspot.com.br/2013/03/Maria.html.
Acessado em 11/04/2014.
Ao dizer que Joshua Bell (...) tocaria incógnito seu violino numa estação de metrô, o autor do texto veicula a ideia de que, em sua apresentação, Joshua Bell
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