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Os países com economias pujantes e estáveis e uma distribuição de renda relativamente equitativa entre seus habitantes tendem a ser menos vulneráveis — social e politicamente — que os países pobres, economicamente instáveis e com distribuição interna de riquezas fortemente desigual. O aumento significativo da desigualdade econômica e social dentro dos países ou entre eles reduzirá as possibilidades de paz. Evitar ou controlar a violência armada interna depende ainda mais, contudo, dos poderes e da efetividade do desempenho dos governos nacionais e da sua legitimidade perante a maioria dos habitantes dos respectivos países. Nenhum governo pode, hoje, dar por garantida a existência de uma população civil desarmada ou o grau de ordem pública há tanto tempo vigente em grande parte da Europa. Nenhum governo está, hoje, em condições de ignorar ou eliminar minorias internas armadas. No entanto, o mundo está cada vez mais dividido em países capazes de administrar seus territórios e seus cidadãos — mesmo quando afetados, como estava o Reino Unido, durante décadas, por ações armadas efetuadas por um inimigo interno — e um número crescente de territórios cujo entorno é demarcado por fronteiras oficialmente reconhecidas, com governos nacionais que flutuam entre a debilidade, a corrupção e a não existência. Essas áreas produzem lutas internas sangrentas e conflitos internacionais, como o que temos visto na África central. Não há, apesar de tudo, perspectivas imediatas de melhoras duradouras nessas regiões, e a continuação do enfraquecimento dos governos centrais nos países instáveis assim como o prosseguimento da balcanização do mapa do mundo sem dúvida provocarão um aumento do perigo de conflitos armados.
Um prognóstico possível: no século XXI, as guerras provavelmente não serão tão mortíferas quanto o foram no século XX. Mas a violência armada, gerando sofrimentos e perdas desproporcionais, persistirá, onipresente e endêmica — ocasionalmente epidêmica —, em grande parte do mundo. A perspectiva de um século de paz é remota.
Eric Hobsbawm. Globalização, democracia e terrorismo.
São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 34-5 (com adaptações).
No que se refere à organização das ideias e a aspectos linguísticos e gramaticais do texto acima, julgue o item subsequente.
No trecho “Nenhum governo pode, hoje, dar por garantida a existência de uma população civil desarmada ou o grau de ordem pública”, estaria mantido o sentido do texto caso o termo “garantida” fosse substituído por garantidos.
 

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