Embora não sejam objetos específicos da medicina legal, o
conhecimento das alterações anatômicas das doenças infecciosas
e crônicas degenerativas é fundamental ao médico legista, pois
possibilita a diferenciação entre etiologias naturais e violentas
para o óbito. Em cada um dos itens que se seguem é apresentada
uma situação hipotética, acerca das alterações anátomopatológicas
em cadáveres, seguida de uma assertiva a ser julgada.
Paciente negro de 45 anos de idade foi encaminhado ao IML
por morte violenta devido a queda da própria altura.
No histórico consta que chegou ao pronto socorro
inconsciente e houve piora do quadro com aprofundamento
do estado de coma. O óbito ocorreu após três dias. No exame
externo não foi observado edema, hematoma ou equimose na
cabeça. Abertos pele, músculos e ossos do crânio, não foi
observada lesão nestas estruturas. O cérebro apresentava-se
com apagamento dos giros, massa igual a 1.235 gramas,
líquor sanguinolento e presença de coágulo em ventrículo
lateral direito, em fase de organização, circundado por
região necrosada no septo pelúcido, núcleo caudado e corpo
caloso. Nessa situação, o legista agiria corretamente ao
assinalar morte natural em seu laudo, em conseqüência a
acidente vascular cerebral do tipo hemorrágico.