Tempo religioso e tempo histórico, duas realidades diferentes
Toda religião é antes de qualquer coisa um fenômeno social, um comportamento coletivo que se assenta, entretanto, sobre as consciências individuais.
O pensamento religioso tende a aproximar individualidades. O religioso não se limita a uma operação política. A religião ocupa-se da vida na sua dimensão eterna, enquanto a política se ocupa na sua dimensão temporal. As religiões querem inscrever-se fora do tempo, enquanto a ação política se desenvolve no dia a dia.
Todavia, a política procura às vezes se apoiar em expectativas individuais de ordem espiritual para estabelecer sua legitimidade sobre a sociedade. Religião e política não se desenvolvem, portanto, no mesmo espaço. A política age de maneira horizontal, estendendo-se de um grupo de indivíduos para outro, enquanto a religião se exprime de maneira vertical, procurando se estender acima do homem para ajudá-lo a identificar seu lugar e seu papel no universo.
Mesmo se a política procura dar uma dimensão intemporal à sua gestão cotidiana da vida humana, somente a religião se dinamiza num contexto sagrado, isto é, fora das contingências profanas, numa lógica fora do tempo que deveria permitir ao homem projetar-se para além
de si mesmo.
Ainda hoje, certos sistemas políticos tentam se apropriar dos sentimentos religiosos de um povo para governá-lo mais facilmente. Essa mescla entre poder espiritual e poder temporal cria por vezes situações de conflito. O tempo religioso e o tempo político não estão destinados a se encontrar. Eles caminham em dois espaços diferentes, como duas linhas paralelas que só se cruzam no infinito.
A lógica religiosa tem a pretensão de construir a sociedade, e não de desmembrá-Ia. Portanto, é raro encontrar uma crença que exclui o Outro, sob pretexto de que ele seria diferente do modelo religioso. As organizações religiosas que seguissem essa lógica entrariam de fato num tempo que não é seu, o da gestão política de uma sociedade.
Fonte: Para conhecer melhor as religiões. 2010. pp. 11 e 12.
O texto destaca a seguinte situação: "Ainda hoje, certos' sistemas políticos tentam se apropriar dos sentimentos religiosos de um povo para governá-lo mais facilmente. Essa mescla entre poder espiritual e poder temporal cria por vezes situações de conflito." Pode-se classificar esses sistemas políticos ou governos como estados: