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Instrução: As questões de números 01 a 05 referem-se ao texto


O que nosso cérebro faz de nós

  • O que você faria se tivesse que responder a dezenas de milhares de comandos e
  • comunicar-se com mais de mil pessoas ao mesmo tempo, sendo que essa troca de informações
  • pode mudar o tempo todo? Se você fosse um neurônio, não teria problema algum. Agora imagine
  • toda essa atividade sendo exercida por cerca de 86 bilhões de células neurais. É na intimidade
  • desses circuitos de múltiplos contatos entre os neurônios, auxiliados por células, que transitam
  • nossos instintos, afetos, pensamentos, subjetividade, nossa lógica, atitudes eestratégias,
  • , quem somos.
  • Se o que somos é o resultado de nossas funções cerebrais, é importante esclarecer que as
  • pessoas não são pré-determinadas, mas se constituem ao longo de sua vida. Somos todos
  • diferentes não apenas porque resultamos de uma constituição genética diferente, mas porque
  • vivemos diferentes experiências. No final das contas, ambos os fatores, a genética e a
  • experiência, sobre os circuitos neurais, sobre as conexões entre os neurônios, as sinapses.
  • Cada comportamento é o resultado das atividades cerebrais. É graças a essa plasticidade que
  • experiências traumáticas podem ser superadas, que nosso humor é adaptável ao contexto, que
  • nossas atitudes podem melhorar com nossos erros. Inventamos, planejamos a longo prazo,
  • dimensionamos as consequências de nossos atos. No entanto, muitas dessas capacidades não
  • são exclusividade humana. O cérebro vem evoluindo há milhões de anos. Responder a certos
  • estímulos, regular nossas vísceras, corrigir a postura corporal e a locomoção, formar memórias,
  • manifestar nosso medo e raiva fazem parte de nossos kits neurais básicos de sobrevivência.
  • Muito já se conhece sobre localizações de funções no cérebro, mas os neurocientistas
  • seguem mesmo interessados em decifrar a área mais desenvolvida que os humanos possuem: o
  • pré-frontal.
  • Sobre o cérebro, do ponto de vista molecular ao emocional e comportamental, muito vem
  • sendo compreendido. Só que ao conhecê-lo melhor, deparamos com a realidade nua e crua dos
  • mecanismos neurais, que pode, à primeira vista, ir contra preceitos até então soberanos. É o caso
  • do livre-arbítrio. Ao ver como o cérebro processa e avalia decisões, encaramos o fato de que
  • muita atividade neuronal já aconteceu antes de nos darmos conta de nossas vontades e intenções.
  • Outras áreas mais desenvolvidas no nosso cérebro são as da linguagem. Diz-se que a
  • linguagem verbal é um dom da espécie humana. Ainda não há um veredicto final da ciência sobre
  • isso, mas sim, é bem provável. A aprendizagem da linguagem pelas regiões cerebrais
  • responsáveis floresce em conexões sinápticas e, com poucos meses de vida, independente da
  • formação cultural de um povo, o cérebro aprende a reconhecer os fonemas da língua falada a sua
  • volta, associando-os à mímica facial típica de cada som, seguindo um padrão universal. Mas, de
  • novo, descobriu-se que não somente as crianças, mas outros mamíferos também são capazes de
  • perceber categorias fonéticas.
  • Por isso, se quisermos entender somos como somos, precisamos também
  • conhecer o cérebro dos outros animais. As pesquisas do grupo de Suzana Herculano-Houzel
  • reconhecem que o encéfalo humano não possui um número excepcionalmente maior de neurônios
  • cerebrais que explique as nossas habilidades cognitivas superiores. Talvez o que possa justificar
  • essa diferença cognitiva seja a incrível ideia que nossos ancestrais tiveram de, um dia, cozinharem
  • a comida que consumiam. Daí pra diante, nosso cérebro que arduamente orquestrava
  • comportamentos e trabalhosas funções digestórias e metabólicas para obter energia de alimentos
  • pôde, então, se dedicar a outras atividades, como falar, filosofar, criar. E a história humana
  • tomou um rumo diferente da de outras espécies.
  • Fonte: Caderno PrOA - http://www.clicrbs.com.br – acesso em 29-9-2015 – texto adaptado

Avalie as seguintes afirmações a respeito de passagens do texto:

I. Se o vocábulo Se (l. 03) fosse substituído por Mesmo que, o sentido manter-se-ia o mesmo, havendo, no entanto, necessidade de ajuste na estrutura frasal.

II. Ao usar a expressão No entanto (l. 16), o autor do texto informa que a ideia a ser apresentada a seguir se somará à anteriormente citada.

III. Os fragmentos um dia (l. 40) e Daí pra diante (l. 41) funcionam como marcadores temporais; entretanto, nenhum deles faz referência a um tempo preciso.

Quais estão INCORRETAS?

 

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