O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa era a imagem de um vidro mole que fazia uma volta atrás de casa.
Passou um homem depois e disse: Essa volta que o rio faz por trás de sua casa se chama enseada.
Não era mais a imagem de uma cobra de vidro que fazia uma volta atrás de casa.
Era uma enseada.
Acho que o nome empobreceu a imagem.
BARROS, Manoel de. Meu quintal é maior do que o mundo (Antologia). 1ª ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2015. p. 85.
TEXTO 3
Onde eu nasci passa um rio
Onde eu nasci passa um rio
Que passa no igual sem fim
Igual, sem fim, minha terra
Passava dentro de mim
Passava como se o tempo
Nada pudesse mudar
Passava como se o rio
Não desaguasse no mar
O rio deságua no mar
Já tanta coisa aprendi
Mas o que é mais meu cantar
É isso que eu canto aqui
Hoje eu sei que o mundo é grande
E o mar de ondas se faz
Mas nasceu junto com o rio
O canto que eu canto mais
O rio só chega no mar
Depois de andar pelo chão
O rio da minha terra
Deságua em meu coração
VELOSO, Caetano. Onde eu nasci passa um rio. In. Domingo. Rio de Janeiro: Pollygram, 1967
Para responder à questão, utilize o TEXTO.
Sobre as relações semânticas entre o Texto 2 e o Texto 3, analise as afirmativas a seguir e assinale a alternativa que apresenta as sentenças VERDADEIRAS:
I - Em ambos os textos, a imagem do rio remete às lembranças do eu-lírico em relação aos lugares em que viveram.
II - Em “O rio da minha terra /deságua em meu coração”, do Texto, há um sentido literal, o que não ocorre em “O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa era a / Imagem de um vidro mole que fazia uma volta atrás / de casa”, no Texto.
III - Nos textos, os vocábulos “minha”, no Texto 3, e “nossa”, no Texto 2, reforçam a ideia de proximidade que cada eu lírico tinha com “terra” e “casa”.
IV - Em “O rio da minha terra”, no Texto 3, e em “O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa”, no Texto 2, as partes destacadas têm o papel de especificar, em cada contexto, o rio, estabelecendo que não se trata de um rio qualquer.
Assinale a alternativa correta.