A
No contexto da tradição metafísica, o grande passo dado por Heidegger residiu em sua elaboração da questão do ser, que, como por ele posta, encontrou sua elaboração no horizonte transcendental do tempo, a partir de onde o autor chegou à descoberta fundamental da identidade ontológica entre ser e ser do ente. No âmbito de sua interpretação hermenêutico-fenomenológica, reconheceu-se serem os mesmos os modos de determinação da verdade deste e dos entes, uma vez que, como já posto no título do central trabalho heideggeriano, “ser” não é outra coisa que “tempo”, compartilhando com os entes, assim, sua condição histórica de acontecimento (Wesende). Se for certo, pois, repetir-se em Heidegger um problema fundamental da tradição, ele ganha em sua obra possibilidades originais, nas quais se ultrapassa a investigação do ente enquanto ente, típica à metafísica tradicional.
B
Diferente da tradição filosófica, que, mesmo que de diferentes formas, pensou sua própria história no horizonte de uma verdade eterna da razão, Heidegger, radicalizando a temporalização da verdade, pôs em marcha a possibilidade de uma nova significação à Filosofia. Segundo propôs, superado o esquecimento do ser em sua diferença ontológica, supera-se também o histórico recalcamento do pré-racional, e, portanto, impensável, à base do pensar e da história ocidental, possibilitando a elaboração de um outro futuro da essência. Necessário, este se faria acompanhar, porém, de riscos próprios, dentre os quais se destaca a própria possibilidade de consolidação da racionalidade metafísica na técnica moderna. De modo que, na obra heideggeriana, a Filosofia, uma vez que história da transição do Ocidente, apresenta-o como história da transição da Filosofia.
C
Com Heidegger, a questão do sentido do ser passa do âmbito da Analítica Transcendental, como em Kant, para aquele da Analítica da Existência. Assim, elabora-se, antes que na transcendentalidade do sujeito, na do Dasein. Assim é por ser certo que somente se pode questionar concretamente o que significa dizer o ser “é”, igualando-se a todos os entes, caso se esclareça o sentido de ser à luz da compreensão ontológica, motor da construção do ente que tem como prerrogativa a existência. Tratando-se do aparecimento de um ente dado, real como as demais coisas, este específico ente tem como singularidade um modo de ser para o qual a realidade essencial é, em todo caso, mais elevada que a possibilidade histórica. Daí sua nomeação como “pastor do Ser”.
D
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E
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