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2739510 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: UFV
Orgão: UFV
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Texto 2

Aumento do tempo de exposição dos filhos às telas é alternativa para pais em trabalho remoto

§1º O pequeno Eric tem visto mais TV do que costumava assistir antes da pandemia. Às vezes, a televisão até fica ligada o dia todo, mas sem que ele dê bola. Sua mãe, Aline Rodrigues, conta que ele chega a passar quatro horas por dia em frente ao aparelho. É mais do que antes, porque seria o horário da escola.

§2º Aline é estudante de Engenharia Civil da UFRGS, trabalha como orçamentista de obras e é voluntária na ONG Sopão Solidário. Além disso, é mãe de dois filhos: Eric, de 5 anos, e Anthony, de 9. Ela conta que não tem sido fácil, principalmente em relação à maternidade.

§3º O uso das telas pelos filhos é visto como saída para aqueles momentos em que precisa de concentração total em algo, como algum trabalho da faculdade. Ela costuma deixar que vejam vídeos em seu celular durante esses períodos, o que prende mais a atenção deles. Apesar disso, Aline se preocupa com a exposição excessiva e tenta encorajar outras atividades recreativas, como andar de bicicleta no pátio ou a pintura de desenhos que ela mesma imprime. “Até desapeguei da bagunça: a mesa já está toda pintada”, brinca.

§4º Seu filho Eric já foi personagem de uma reportagem quando ainda tinha 1 ano e 3 meses. Nessa época, o garoto já conseguia mexer no celular. Fazia gravações, tirava foto, postava.

§5º Já Antonella começou a ser atraída pelas telas ainda com 4 meses de vida, como relata Aline Cunha, professora e vice-diretora da Faculdade de Educação da UFRGS e mãe da pequena, agora com 1 ano e 4 meses. Nesse período de pandemia, Aline tem trabalhado de forma remota e dividido os cuidados da filha com o marido, mas também observa um aumento do tempo de uso da televisão. Quando nenhum dos dois pode ficar com a filha, Antonella é colocada sentada no carrinho, vendo desenho. “Nesses momentos, ela fica muito quieta, mesmo que a gente procure disponibilizar vários brinquedos para ela.”

§6º Aline observa que a atração da filha pelo celular também é grande. “Quando o celular está na nossa mão, ela estica o pescoço e fica olhando o que tem, parece que fica esperando que a gente coloque alguma coisa para ela assistir”, relata a mãe surpresa. Antonella, como muitas crianças, já entende que no celular existe um mundo de possibilidades.

Impactos do aumento da exposição

§7º Michel Desmurget, neurocientista francês e autor do livro A fábrica de cretinos digitais, afirma que a exposição excessiva de crianças às telas pode trazer sérios malefícios à formação intelectual das novas gerações, inclusive a diminuição do quociente de inteligência (QI) em relação a gerações anteriores, quando a tela não estava ou estava menos presente.

§8º Ao longo das gerações, a média do QI humano aumentou, o que estaria ligado às melhores condições às quais as pessoas têm acesso ao longo da vida na era moderna, principalmente nos países economicamente mais desenvolvidos. No entanto, estudos recentes, como os de Desmurget, têm demonstrado que o QI das gerações atuais de crianças e jovens tem diminuído. Apesar de alterações socioeconômicas terem grande impacto, a percepção dessa diminuição nas gerações nativas digitais tem se mostrado em países que se mantêm constantes, como Noruega, Dinamarca, Finlândia, Holanda e França.

§9º Giana Bitencourt Frizzo, pesquisadora do PPG em Psicologia da UFRGS, antes da pandemia de covid-19, já buscava entender o impacto das telas para o desenvolvimento infantil e para a interação familiar. Em virtude do isolamento social e com o impedimento de fazer pesquisas presenciais com os pais, ela buscou entender qual impacto as telas poderiam ter nesse novo cenário. Com a conveniência de ter dados do período anterior, Giana pôde comparar os dois momentos e percebeu o aumento do tempo de uso das telas pelas crianças, o que geralmente vinha alinhado à perda de suportes pelo grupo familiar — como desemprego, falta de renda, ausência de outros familiares — e também ao maior estresse dos pais.

Prejuízos diversos fazem parte da preocupação dos pais

§10º Segundo a neuropediatra e professora de Medicina na UFRGS Renata Kieling, existem janelas de desenvolvimento em que o uso da tela preocupa mais. “A gente nunca teve isso de, por exemplo, com 1 ano de idade, um período ainda muito formativo, as crianças receberem um bombardeio de luz e som pela tela. O efeito disso não é uma coisa que a gente consegue dizer, mas temos uma preocupação de que isso não seja bom”, pondera. Além disso, assevera que é importante olhar com ainda mais atenção para as crianças que já possuem atrasos no desenvolvimento.

§11º A docente ainda observa que não é possível compreender o que é o efeito da tela isoladamente. “Muito do que a gente observa é de que as coisas estão associadas. Muitas vezes a criança que tem menos oportunidade de outros estímulos é a mesma que está mais tempo na tela.” E pondera que não existe tempo suficiente dessa experiência humana de exposição para que possa ser bem compreendida pelos estudos.

Fonte: https://www.ufrgs.br/jornal/aumento-do-tempo-de-exposicao-dos-filhos-as-telas-e-alternativa-para-pais-em-trabalho-remoto/. Acesso em 12 abr. 2022. [Adaptado]

“Ela conta que não tem sido fácil, principalmente em relação à maternidade.” (§ 2)

Na sentença acima, observa-se a ocorrência adequada do acento grave indicativo de crase. Assinale a alternativa em que esse mesmo acento está CORRETAMENTE empregado:

 

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