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3094966 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: FCC
Orgão: Câm. São Paulo-SP

Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo.

A publicidade se estabeleceu nas economias capitalistas como um recurso indispensável para o escoamento dos bens de consumo; mas o desenvolvimento de suas técnicas de aliciamento do consumidor extrapolou o objetivo original de promover a venda de certas mercadorias. Hoje a publicidade não serve apenas para convencer o possível comprador de que um carro é mais potente do que o outro. Junto com carros e cartões de crédito acessíveis a uma parcela da sociedade, a publicidade vende sonhos, ideais, atitudes e valores para a sociedade inteira. Mesmo quem não consome nenhum dos objetos alardeados pela publicidade como se fossem a chave da felicidade, consome a imagem deles. Consome o desejo de possuí-los. Consome a identificação com o ‘bem’, com o ideal de vida que eles supostamente representam.

Os publicitários descobriram que é possível fazer o inconsciente do consumidor trabalhar a favor do lucro de seus clientes. O inconsciente, como se sabe, não é ético ou antiético. O inconsciente é amoral. Ele funciona de acordo com a lógica da realização (imediata) dos desejos, que na verdade não é tão individual quanto parece. O desejo é social. Desejamos o que os outros desejam, ou o que nos convidam a desejar. Uma imagem publicitária eficaz deve apelar ao desejo inconsciente, ao mesmo tempo em que se oferece como objeto de satisfação. Ela determina quais serão os objetos imaginários de satisfação do desejo, e assim faz o inconsciente trabalhar para o capital.

Só que o sujeito do inconsciente nunca encontra toda a satisfação prometida no produto que lhe é oferecido.

O que a publicidade propõe aos consumidores em potencial é uma pseudoescolha. “Seja livre: escolha o melhor modelo de automóvel do mercado − da marca x”. Aqueles que podem comprar um carro naquela faixa de preço perceberão que as marcas se equivalem; para os que não podem – a grande maioria − a escolha não se coloca. Os que não se incluem entre os que podem comprar ficam de fora. Fora da representação. Fora do discurso. Ou são incluídos pela identificação com as imagens: esta a “fabricação concreta da alienação” a que se refere o escritor Guy Debord.

A publicidade dirige-se ao desejo e responde a ele com mercadorias. Interessa-se pelos sonhos e fantasias para captá-los como “tendências de mercado”, e até mesmo os anseios políticos por liberdade e democracia são vertidos na forma dos “direitos de escolha do consumidor”.

(Adaptado de: KHEL, Maria Rita. Videologias. São Paulo, Boitempo Editorial, 2004. p. 61-62)

Só que o sujeito do inconsciente nunca encontra toda a satisfação prometida... (2º parágrafo)

Acrescentando-se uma vírgula imediatamente antes de o sujeito, o trecho grifado acima pode ser substituído, sem prejuízo para a correção e o sentido original, por:

 

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