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1301528 Ano: 2014
Disciplina: Pedagogia
Banca: CONSULPAM
Orgão: Pref. Pentecoste-CE
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Texto 1 - Sofrendo a Gramática (a matéria que ninguém aprende) (fragmento)
Passei grande parte da vida estudando, discutindo e escrevendo a respeito de gramática, e me preocupo bastante com a atitude que as pessoas têm para com essa disciplina. Muitas vezes, percebi um certo espanto diante da informação de que o estudo da gramática é a minha ocupação principal; já escutei resmungos no sentido de que eu "soube unir o inútil ao desagradável". Qual será o motivo desse alto índice de rejeição?
Outras disciplinas há que são tão ou mais difíceis, como por exemplo, a matemática e a química e, para alguns, a história. Mas nenhuma suscita reações tão violentas como a gramática; parece fácil aceitar que alguém seja matemático, geógrafo, especialista em cogumelos ou grande autoridade na fisiologia dos morcegos; mas um gramático é uma pessoa que todos consideram excêntrica ou coisa pior. Existe com certeza algum fator de repugnância associado a essa disciplina, e vale a pena especular um pouco a respeito.
Vamos começar isolando alguns sintomas. Primeiro, alguns professores, alunos e pais de alunos advogam a supressão pura e simples do ensino gramatical. Outros reagem e, nessa discussão, os argumentos se radicalizam: uns sustentam que a gramática "não serve para nada"; outros, que "sem gramática não é possível aprender português". Não deve ser nem uma coisa nem outra. Mas é um sintoma de que há algo de errado no reino da gramática. Não existem controvérsias como essa no que diz respeito à física, à biologia ou ao inglês.
Outro sintoma é o seguinte: ao chegar aí pelo segundo ano do segundo grau, os jovens já estão fazendo planos para sua vida futura. No caso de querer cursar a universidade, alguns pretendem ir para direito, outros gostariam de se dedicar à geologia ou à astrofísica. Quantos sonham em se tornar gramáticos? Alguns, possivelmente, mas nunca encontrei um sequer. Por ser difícil demais? Não pode ser; a gramática não tem por que ser mais difícil do que outros estudos científicos. Afinal, o que há de esquisito com essa tão odiada matéria?
O terceiro sintoma é de preocupar. Imaginemos um aluno de terceiro ano primário e um de terceiro colegial. O primeiro sabe um pouco de matemática — digamos, as quatro operações. Não vou afirmar que todo aluno de terceiro ano primário saiba as quatro operações; mas muitos sabem, e não é absurdo um professor entrar na sala esperando que todos saibam. Já o aluno de terceiro colegial tem de saber mais do que as quatro operações. Afinal, ele tem oito anos a mais de escolaridade; e, correspondentemente, o professor de matemática espera mais dele do que de um aluno de primário. Mas com a gramática a situação é outra. O aluno de terceiro ano primário já está estudando as classes de palavras e a análise sintática — e não sabe. Ao chegar ao terceiro colegial, continua estudando a análise sintática e as classes de palavras — e continua não sabendo. Um professor de português, mesmo que de colegial, não pode entrar na sala esperando que os alunos dominem a análise sintática, ou que possam distinguir uma preposição de um advérbio, sob pena de graves decepções. E eles estudam esse assunto há oito anos, às vezes mais! Decididamente, alguma coisa está muito errada.
(PERINI, Mário A. Sofrendo a Gramática (a matéria que ninguém aprende). In: Sofrendo a gramática. São Paulo: Ática, 1997, pp.47-49.)
O fragmento do texto do linguista Mário Perini retrata, de maneira contundente, algumas das questões prementes que o professor de língua Portuguesa enfrenta em relação ao Ensino da própria língua materna no quotidiano escolar. Nesse sentido, podemos AFIRMAR:
I- A discrepância entre o ensino ideal e real da gramática em sala de aula se deve ao uso indiscriminado do Livro Didático imposto pela unidade escolar
II- Diante do exposto, uma alternativa interessante seria o contraponto de privilegiar, na prática de ensino da língua materna, os vários mecanismos e operações de construção de textos em detrimento à abordagem tradicional restritiva do ensino de conteúdos gramaticais.
III- De acordo com os PCNs, o conhecimento resultante da reflexão assistemática, circunstancial e fortemente marcada pela intuição de todo falante da língua deveria ser a abordagem prioritária no Ensino de Língua materna.
IV- Uma solução plausível para o impasse seria abolir definitivamente qualquer sistematização de regras no Ensino Fundamental, relegando o ensino da gramática normativa somente ao Ensino Médio.
Assinale a(s) alternativa(s) CORRETA(s):
 

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