O afastamento de Fidel Castro, como quer que deva ser analisado de diversos pontos de vista, tem certamente significado simbólico. Ele aponta para o fim de uma singular experiência revolucionária no hemisfério, que, não obstante o que aparece como sobrevida melancólica nas condições de hoje, ao nascer incendiou romanticamente a imaginação de muitos de nós e nos mobilizou. Eram os tempos provavelmente mais quentes da Guerra Fria, e a fantasia de uma alternativa socialista e revolucionária atraía muitos jovens generosos, estimulados pela visão sartriana de um furacão benigno sobre Cuba, protagonizado igualmente por jovens abnegados e heróicos. A movimentação resultante concorreu, naturalmente, para que o processo político brasileiro desaguasse no desastre de 1964, enquanto em plano mundial se evidenciava a face bárbara da experimentação com o socialismo e se engendrava a dinâmica que terminaria por inviabilizá-lo. Felizmente, as circunstâncias do presente permitem, quando nada, evocar com bom humor algo do clima do imediato pós-Revolução Cubana — e quem sabe procurar refletir de novo sobre importantes e perenes temas políticos.
Fábio Wanderley Reis. Valor Econômico, 24/2/2008 (com adaptações).
Com base no texto acima, julgue o seguinte item.
A expressão “se engendrava” está sendo empregada com o sentido de rejeitava, recusava.