TEXTO I
A sociedade da (in) comunicação e da (in) diferença
Houve um engano, segundo Gilles Lipovetsky: não estamos na pós-modernidade, mas na hipermodernidade. O primeiro termo que pautou as discussões durante anos era ambíguo e sugeria uma superação da modernidade pela pós-modernidade. O segundo termo, ao contrário, indica que a modernidade não acabou: chegou ao seu extremo. Aceleração total, velocidade máxima, sociedade do excesso. A fórmula encontrada pelo filósofo para caracterizar a hipermodernidade é simples e eficaz: o mais e o menos ao mesmo tempo. Nunca se buscou tanto a magreza e nunca se teve tantos obesos. Nunca houve tanta liberdade para expressão dos desejos e nunca houve tanta depressão. Nunca se buscou tanto o prazer e nunca se sofreu tanto por não se conseguir uma vida lúdica.
Nossa sociedade é dominada pelo imaginário da comunicação. Estamos na era da mídia e na midiatização da vida. As novas tecnologias invadem tudo e geram uma obsessão de interatividade. É preciso estar sempre conectado. Privado e público se confundem. Cada vez mais, cada um quer ser protagonista e contar sua vida num blog ou noutro mecanismo de exposição, o que antes era reservado à família, aos vizinhos e aos amigos.
(Juremir Machado da Silva – apresentação do livro “A Sociedade da Decepção” de Gilles Lipovetsky)
Observe o título do texto: “A sociedade da (in) comunicação e da (in) diferença.” A presença do prefixo entre parêntese pode ser entendida: