Mais vale ser amado que temido, ou temido que amado?
O melhor consistiria em ser amado e temido, mas isso é difícil. Então, é mais seguro ser temido. Por quê? Há várias razões para isso. Em primeiro lugar, os homens são geralmente “ingratos, inconstantes, dissimulados, trêmulos em face dos perigos e ávidos de lucro; enquanto lhes fazeis bem, são dedicados; oferecem-vos o sangue, os bens, a vida, os filhos, enquanto o perigo se apresenta remotamente, mas quando este se aproxima, bem depressa se esquivam”. Ai do príncipe que confiasse exclusivamente em todas as amizades pagas em prodigalidades, “em breve estaria perdido”! Além disso, os homens receiam muito menos ofender aquele que se faz amar do que aquele que se faz temer. O vínculo do amor, rompem-no ao sabor do próprio interesse, ao passo que o temor sustenta-se por um medo do castigo, que jamais os abandona. Enfim, não depende do príncipe ser amado, os homens “amam a seu bel-prazer”; mas dele depende ser temido, os homens “temem conforme quer o príncipe”. Ora, um príncipe prudente deve basear-se não no que depende de outrem, mas no que depende de si mesmo.
Ser temido, aliás, em nada significa ser odiado; o ódio dos súditos — como seu desprezo — é grave; nele não se deve incorrer. Porque todas as fortalezas que o príncipe odiado possuir contra os súditos não o salvarão de suas conjurações.
Jean-Jacques Chevalier. O príncipe. In: As grandes obras políticas de Maquiavel a nossos dias.
Tradução de Lydia Cristina. 7.ª ed., Rio de Janeiro: Agir, 1995, p. 37-8 (com adaptações).
Referentemente às idéias e às estruturas lingüísticas do texto acima, julgue o item a seguir.
Em “ávidos de lucro”, a preposição “de” poderia ser substituída pela preposição por, sem prejuízo das regras de regência nominal.