Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
1 Ouço o cantar dos astros no mar do firmamento;
No mar das matas virgens ouço o cantar do vento,
Aromas que s’elevam, raios de luz que descem,
4 Estrelas que despontam, gritos que se esvaecem,
Tudo me traz um canto de imensa poesia,
Como a primícia augusta da grande profecia;
7 Tudo me diz que o Eterno, na idade prometida,
Há de beijar na face a terra arrependida.
E, desse beijo santo, desse ósculo sublime
10 Que lava a iniqüidade, a escravidão e o crime,
Hão de nascer virentes nos campos das idades,
Amores, esperanças, glórias e liberdades!
13 Então, num santo êxtasis, escuto a terra e os céus,
O vácuo se povoa de tua sombra, ó Deus!
E, ouvindo nos espaços as louras utopias
16 Do futuro cantarem as doces melodias,
Dos povos, das idades, a nova promissão...
Me arrasta ao infinito a águia da inspiração...
19 Então me arrojo ousado das eras através,
Deixando estrelas, séculos, volverem-se a meus pés...
Porque em minh’alma sinto ferver enorme grito,
22 Ante o estupendo quadro das telas do infinito...
Que faz que, em santo êxtasis, eu veja a terra e os céus,
E o vácuo povoado de tua sombra, ó Deus!
Castro Alves. O vidente. In: Literatura comentada. São Paulo: Abril Educação, 1980, p. 54.
Julgue o item a seguir, a respeito desses versos de Castro Alves.
Por meio da conjunção “E”, é estabelecida uma relação de continuidade entre os versos da primeira estrofe e o evento expresso no verso 18.