Leia o “Poema visto por fora”, de Murilo Mendes, para responder a questão.
O espírito da poesia me arrebata
Para a região sem forma onde passo longo tempo imóvel
Num silêncio de antes da criação das coisas.
Súbito estendo o braço direito e tudo se encarna:
O esterco novo da volúpia aquece a terra,
Os peixes sobem os porões do oceano,
As massas precipitam-se na praça pública.
Bordéis e igrejas, maternidades e cemitérios
Levantam-se no ar para o bem e para o mal
Os diversos personagens que encerrei
Deslocam-se uns dos outros, fundam uma comunidade
Que eu presido ora triste ora alegre.
Não sou Deus porque parto para Ele,
Sou um deus porque partem para mim.
Somos todos deuses porque partimos para um fim único
(MENDES, M. A poesia em pânico. Rio de Janeiro: Guanabara, 1937)
Para expressar o conflito existencial vivido pelo poeta, revelado pela condição humana vs divina, as poesias de Murilo Mendes recorrem