Magna Concursos
2172714 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: Nosso Rumo
Orgão: Pref. Suzano-SP

Um mundo sem culpa

O cristianismo é um legado indissociável da nossa cultura cotidiana e medeia nossos atos e valorações de forma explícita e implícita. Ainda que nossa moral - normalmente frouxa - não seja capaz de dar consistência absoluta a esse legado, o crente, o ateu, o agnóstico e o singular cristão não praticante fazem uso dessa herança quando lhes convém. Não há quem desconheça a oração Pai Nosso, texto seminal da cultura cristã.

O texto sagrado sugere que devamos perdoar os nossos ofensores para que sejamos igualmente perdoados por Deus. Não nos prendemos a essa disposição do texto, fixamos mais na ideia de que Deus, por conta da sua magnânima bondade, perdoará a todos, apesar da não equivalência de compaixão. Suprimos da consciência o conectivo de comparação “assim como” e esperamos que Deus se atenha só ao dito e ao escrito e que distraído não vasculhe os meandros de nossas intenções e de nossos lapsos de memória.

Reparem que (certos do perdão divino, motivado pelo arrependimento e pela confissão mediada por padre, pastor ou em linha direta com Deus) pedimos desculpa com a convicção absoluta de nossa absolvição. Não é raro que fiquemos incomodados e avexados quando alguém nos surpreende com a possibilidade de não nos tirar a culpa. Se Deus nos perdoará, por que essezinho não o fará?

A consciência, dedurada somente aos atentos, é sempre arejada pelos artifícios da linguagem e das associações feitas. Quando não nos desculpam, criamos a própria desculpa, transferindo a outros a culpa que seria nossa. “Desculpe-me pelo atraso, o trânsito desta cidade é uma loucura”; “Desculpa, era só uma brincadeira, não fiz por mal”; “Foi mal, estava distraído”.

Às vezes, escamoteamos a palavra “desculpa” no discurso, mas vislumbramos a possibilidade de entendimento dela. “A prova estava impossível, o professor surtou”; “Não dá para entender o que o professor explica”; “Como cheguei correndo, não consegui pegar o livro”. Assim, a falha que é nossa é transferida a um outro culpado. Criamos, assim, um perdão “expresso”, sem a intermediação de líderes religiosos e sem conversar com o “Homem lá de cima”. E o pobre destinatário da culpa transferida que busque forma de encontrar também o seu perdão. (...)

Adaptado de https://revistaeducacao.com.br/2019/07/14/mundo-semculpa- cristianismo/

A sentença “E o pobre destinatário da culpa transferida que busque forma de encontrar também o seu perdão”, retirada do texto, apresenta um discurso:

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

Agente de Trânsito

30 Questões

Agente-Fiscal Tributário

30 Questões

Enfermeiro

30 Questões

Técnico de Enfermagem - Plantonista

30 Questões