Instrução: As questões 09 a 15 referem-se ao texto abaixo.
- No pós-guerra e por toda a década de 1950, é muito
- comum que as moças de classe média que trabalham
- ou estudam interrompam essas atividades com o casa-
- mento. Como observou o sociólogo Emílio Willems em
- 1954: “apesar do fato de que as mulheres podem,
- agora, escolher entre várias possibilidades profissio-
- nais, ainda há poucas mulheres, no Brasil, que seguem
- alguma carreira”. Para a maioria esmagadora delas, o
- casamento está em primeiro plano e nem estudos nem
- profissão fazem com que ele seja adiado ou rejeitado.
- Ao longo dos Anos Dourados, é comum ouvir que carreira
- e matrimônio são inconciliáveis. As mulheres encon-
- tram muitas barreiras ao tentar prosseguir com os
- estudos universitários ou investir em uma profissão.
- Invariavelmente, seu trabalho profissional será consi-
- derado bem menos relevante que o do chefe da família.
- Pais e maridos de classe média chegam ____ se
- envergonhar por terem filhas ou esposa trabalhando
- fora do lar. Outros, porém, diante das pressões econô-
- micas, deixam de fazer objeções ____ que suas mulheres
- tenham empregos que não o de professora, e não só
- permitem o trabalho das filhas solteiras como muitas
- vezes o incentivam. Assim, várias moças dessa classe
- social entram no mercado de trabalho “para ajudar a
- família” nas questões financeiras, e outras, simples-
- mente para adquirir maior independência. Porém, nos
- anos 1950, é bem mais difícil encontrar mulheres casa-
- das dessa classe social trabalhando fora; é preferível
- que elas se dediquem inteiramente ao lar e “se preser-
- vem da rua”.
- O controle exercido por maridos, pais e irmãos
- sobre as mulheres diminui consideravelmente quando
- elas trabalham fora de casa. Contudo, ou por isso
- mesmo, elas devem cuidar de sua reputação compor-
- tando-se de maneira ____ não “reduzir as oportunidades
- para o casamento” ou desagradar o marido. Observando
- suas contemporâneas, Emílio Willems alerta contra con-
- clusões apressadas, como a de que “as mulheres brasilei-
- ras gozam ou desejam gozar o grau de liberdade que é
- comum em outras partes do Ocidente”.
- As mudanças que vão se operando na sociedade
- nos 15 anos que se seguem ao término da Segunda
- Guerra Mundial afetam, de vários modos, as relações
- de gênero estabelecidas. Ao lado da emancipação
- feminina em curso convivem — nem sempre pacifica-
- mente, nem sempre em estado de guerra —, visões
- tradicionais dos papéis masculinos e femininos. Algu-
- mas instituições conservadoras colocam restrições ____
- dedicação ao estudo e _____ profissionalização das
- mulheres. Já o cinema, embora divulgue um modelo
- tradicional de esposa, também traz imagens de países
- estrangeiros (EUA, França, Itália, etc.) em que a parti-
- cipação feminina no mercado de trabalho é vista com
- maior naturalidade.
- A classe média acabará aceitando e valorizando o
- trabalho feminino fora de casa, afinal o capitalismo, os
- novos padrões de consumo e a “modernidade”, além
- da emancipação (convicta ou não) de muitas mulheres,
- exigem que assim seja. Mas num percurso acidentado
- e cheio de obstáculos.
Adaptado de: PINSKY, C. B. Mulheres dos anos dourados. São
Paulo: Contexto, 2014.
Considere as seguintes afirmações.
I - No primeiro parágrafo, a autora argumenta que mulheres de classe média, na década de 1950, enfrentam dificuldades para manter seus estudos ou profissão, e estes acabam sendo interrompidos pelo matrimônio.
II - No segundo parágrafo, a autora argumenta que, no final dos anos 1950, torna-se aceitável pela sociedade que as mulheres busquem um trabalho ou sigam carreira acadêmica, em especial as mulheres casadas.
III - No último parágrafo, a autora argumenta que, eventualmente, o trabalho fora de casa acaba sendo aceito e até mesmo valorizado pela classe média.
Quais estão corretas?