“A demonização das religiosidades afro-brasileiras que se produz nesse contexto de intolerância, assume características de verdadeiro etnocídio, porque se estende, para além do universo religioso, à totalidade de um patrimônio cultural negro, preservado ou recriado ao longo de séculos de história no Brasil, e que sempre constituiu um universo de significados partilhados, permitindo a construção positiva de uma identidade de contraste. Diante de uma religião que se apropria em negativo de todo um conjunto de símbolos que conformam o etos e a visão de mundo próprios às religiosidades afro-brasileiras, na situação limite em que a violência se transforma em terror, o que é grave é que não sobre às pessoas nenhuma opção, sejam elas brancas ou negras. Ou se serve aos desígnios do Maligno, ao se manter qualquer contato com esse universo cultural demonizado, ou se está do lado de Deus, que agora só tem uma única face.”
(fonte: MONTES, Maria Lucia. As figuras do sagrado: entre
o público e o privado na religiosidade brasileira. São Paulo: Claro Enigma, 2012, p. 87. Adaptado).
A situação, acima descrita, tem sido constatada em diversas cidades do Brasil. O ensino religioso pode contribuir para a superação desse quadro ao promover a