O sociólogo italiano Domenico De Masi afirma que, até o século 20, o ser humano valia mais “do pescoço para baixo”, devido ao reconhecimento do alto valor da capacidade de uso da força para atividades repetitivas.
O trabalho braçal era feito por pessoas devido à falta de tecnologia(I) da época. O autor conclui, então, que no século 21 o ser humano valeria mais “do pescoço para cima” e que teria seu maior valor na capacidade de pensar, refletir, inovar e criar.
Nesta linha, o cientista Sílvio Meira aponta que os métodos de educação baseados em conteúdo sistematizam o conhecimento do passado para oferecer uma performance no presente, produzindo um estoque de saber. Enfaticamente, diz que o futuro não é de quem tem mais conhecimento, e sim de quem tem maior capacidade de aprender durante a vida. Segundo Meira, até meados de 2030, teremos mais 14% de vagas deslocadas para serem feitas por robotização ou Inteligência Artificial, dobrando o número de desempregados em relação a hoje. (II) E finaliza dizendo que é preciso se focar nas pessoas e não nas atividades que se tornarão ultrapassadas. Isso só se faz com investimento em Educação.
Os referidos empregos obsoletos que vão desaparecer em todo o mundo massivamente em 15 anos são as atividades de máquina. Aquelas classificadas por De Masi como as realizadas “do pescoço para baixo”. Em geral são funções repetitivas, ineficientes, caras, lentas e poluentes, que nunca deveriam ter sido feitas por seres humanos. Concordo com Meira ao dizer que a educação conteudista – de decorar a fórmula(III) e saber a resposta certa – se presta para formar pessoas exatamente para estes postos de trabalho moribundos.
Tal método utiliza intencionalmente estratégias de aprendizagem baseadas na repetição e na memorização para estocar saberes.
A ciência nos mostra que, para formar pessoas com competências “do pescoço para cima”, baseadas em resolução de problemas e criatividade, precisamos focar em experiências educacionais transformadoras e intencionalmente para esse fim. Necessitamos fazer isso agora ou estaremos condenando nossas crianças já, na largada, a engrossar a fila dos desempregados.
MARTINS, Rodrigo de Quadros. No século dos robôs e da
Inteligência Artificial, o que mais vale é ser humano.
Jornal do Comércio, Opinião, 11/07/2019. Disponível em
https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/opiniao/
2019/07/693008-no-seculo-dos-robos-e-da-inteligencia-
artificial-o-que-mais-vale-e-ser-humano.html.
Acesso em 11/07/2019.
Com relação ao emprego do acento indicativo de crase, considere as seguintes afirmações.
I - O emprego do acento indicativo de crase na expressão devido à falta de tecnologia é facultativo.
II - Na expressão em relação a hoje, não há contexto para o emprego do acento indicativo de crase, pois a palavra relação não é regida pela preposição a.
III - Na expressão decorar a fórmula, não há contexto para o emprego do acento indicativo de crase, pois não há aqui fusão da preposição a com o artigo definido a.
Quais estão corretas?
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