Texto CB1A1-I
A escritora mineira Conceição Evaristo é muito conhecida por sua produção literária e por conseguir mover os afetos de seus leitores a partir do que ela mesma intitula escrevivência. Trata-se, sem dúvida, de ficção, mas esta tem como base a experiência pessoal, histórica e ancestral de Evaristo como mulher, negra, brasileira, filha, mãe, pessoa que viveu a privação material; e professora. Os relatos de Conceição não apresentam o que ela de fato experienciou, mas trazem tudo o que ela poderia ter vivido; trazem o que mulheres, homens e crianças em condições identitárias e sociais semelhantes às dela vivem (ou podem ainda viver).
Desta maneira, permitir que os(as) estudantes tenham acesso às obras de Evaristo pode ser uma prática que congrega dois aspectos caros: o incentivo à leitura literária, prevista pelo currículo escolar e enfatizada pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), e a necessária discussão sobre o passado e os rumos de nossa sociedade. Assim, além da importante abordagem de textos de uma mulher negra apresentando, denunciando e celebrando, através da linguagem literária, as experiências de sua comunidade, o estudo de tais obras possibilita que tragamos questões sociais à centralidade das discussões em aula. Porém, elas não nos chegam sem propósito, mas ocasionadas pelo trato artístico de experiências que, por tanto tempo na tradição literária do nosso país, foram encaradas de forma redutora.
Oluwa Seyi Salles Bento. Literatura afeto e comprometimento social:
a importância da obra de Conceição Evaristo na educação (com adaptações).
Os vocábulos “caros” (primeiro período do último parágrafo) e “intitula” (primeiro período do primeiro parágrafo), estão sendo empregados no texto CB1A1-I, respectivamente, com o sentido de