TEXTO 2
RITA
No meio da noite despertei sonhando com minha filha Rita. Eu a via nitidamente, na graça de seus cinco anos.
Seus cabelos castanhos — a fita azul — o nariz reto, correto, os olhos de água, o fino riso, engraçado, brusco...
Depois um instante de seriedade; minha filha Rita encarando a vida sem medo, mas séria, com dignidade.
Rita ouvindo música; vendo campos, mares, montanhas; ouvindo de seu pai o pouco, o nada que ele sabe das coisas, mas pegando dele seu jeito de amar — sério, quieto, devagar.
Eu lhe traria cajus amarelos e vermelhos, seus olhos brilhariam de prazer. Eu lhe ensinaria a palavra cica, e também a amar os bichos tristes, a anta e a pequena cutia; e o córrego; e a nuvem tangida pela viração.
Minha filha Rita em meu sonho me sorria — com pena deste seu pai, que nunca a teve.
(Rubem Braga. 200 crônicas escolhidas. p.308.)
Observe o excerto do texto — ouvindo de seu pai o pouco, o nada que ele sabe das coisas, mas pegando dele seu jeito de amar — sério, quieto, devagar. Considere agora as afirmações que são feitas a seguir, a partir do excerto em tela.
I. Nesse trecho da narrativa, é introduzido um novo narrador.
II. No excerto, o enunciador refere-se a si mesmo na terceira pessoa.
III. A mudança da 1ª para a 3ª pessoa sugere distanciamento do narrador, minimizando assim sua responsabilidade pelo que é dito.
Está correto o que se afirma