Três datas terminadas em 4 devem ser lembradas neste 2014. A primeira é 1954, do suicídio de Getúlio Vargas. A segunda é 1964, do golpe militar apresentado como Revolução.
A terceira, 1984, das Diretas Já. Na primeira ocorreu um drama. Na segunda, uma farsa. Na terceira, um épico. Elas marcaram a história política do país e a de uma geração. Se, num caso, um presidente se matou e, no outro, matou-se a democracia, no terceiro, houve um dos mais bonitos espetáculos cívicos de ressurreição da esperança. Depois de 20 anos de ditadura, o país foi para as ruas e como nunca, antes ou depois, manifestou-se com vigor, mas em ordem e paz.
Zuenir Ventura. Saudades das Diretas Já.
In: O Globo, 29/1/2014 (com adaptações).
Tendo o texto acima como referência inicial, julgue o próximo item.
Os acontecimentos de 1954 sugerem que o Vargas que governou o Brasil sob o regime ditatorial do Estado Novo mostrou-se bem diferente daquele que voltou à presidência da República em contexto democrático. No segundo governo, o veterano político gaúcho despertou verdadeiro fascínio no Congresso Nacional, nos partidos políticos e na imprensa, deles recebendo apoio e com eles convivendo com extrema habilidade política.