Magna Concursos
2877519 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: IDECAN
Orgão: UNILAB

Texto para as questões 1 a 10

A divagação da mente, o fluxo dos erros e a criatividade

1 Nossa mente vagueia entre passado e futuro, imaginando o que poderia ter sido, antecipando acontecimentos que muito

2 provavelmente nunca ocorrerão, além de elaborar fantasiosas narrações. O padrão mental é criar pensamentos aleatórios,

3 espontaneamente, à parte do que fazemos e das circunstâncias presentes.

4 Alguns exemplos são típicos em doenças mentais, como as ruminações melancólicas, características da depressão; as

5 obsessões, identidade do transtorno obsessivo-compulsivo; o sonhar acordado, comum aos que têm transtorno de déficit de

6 atenção. Em pessoas livres dessas enfermidades, as consequências dos raciocínios intrusos podem ser mínimas, nem perturbam

7 o propósito. Ou não...

8 Às vezes, flagramos nossa mente distante, por um tempo surpreendentemente longo. Resignados ou inconformados,

9 não evitaremos essa repetição. A procrastinação e a impulsividade, causas frequentes de frustração e desgosto, são

10 consequências desta falha cognitiva, a incompetência em conectar o pensamento à ação contemporânea. Um fracasso do

11 autocontrole.

12 Mesmo mais brandamente, a divergência entre o pensar e o agir gera tristeza. Algumas tradições filosóficas e religiosas

13 ensinam que a felicidade reside no presente; dessa forma, seus adeptos são incentivados a reconhecer as divagações mentais

14 e concentrarem-se no aqui e agora. Essas práticas sugerem que uma mente errante é uma mente infeliz. Mas esse princípio é

15 verdadeiro e pode ser testado objetivamente?

16 Questões complicadas como essas são um convite à divagação. Felizmente, alguns curiosos e persistentes foram à

17 obra, especificamente em 2010, na Faculdade de Psicologia da Universidade Harvard. Esses insistentes, ou melhor,

18 pesquisadores, enviaram perguntas, várias vezes e ao acaso, aos celulares de 2.250 voluntários. O mote era descobrir o que

19 faziam, se o que estavam pensando era pertinente ao momento e como se sentiam. As conclusões obtidas desse clássico estudo:

20 os participantes estavam menos felizes quando a mente vagueava, não importa se a atividade era agradável ou desagradável,

21 tampouco se o pensamento transcorria sobre tópicos prazerosos ou não. A divagação da mente era a causa da tristeza, e não

22 sua mera consequência.

23 Então, a chave do sucesso e da felicidade é o controle voluntário da mente, o fim dos devaneios? Desiludo o meu

24 esperançoso leitor, não é possível alcançar esse objetivo.

25 Os pensamentos errantes ocupam muito do nosso tempo, por serem um aspecto normal da condição humana, um

26 notável efeito da evolução que nos possibilita aprender, raciocinar, planejar e formatar a metacognição. A viagem mental de

27 eventos passados às possibilidades futuras nos ajuda a integrar experiências e a antecipar consequências. Sem falar que essas

28 divagações ajudam a enfrentar a chatice de tarefas monótonas, já que adicionam alguns intervalos reparadores.

29 A experiência humana da consciência é fluida, raramente restringe-se a um único tópico por um período extenso, sem

30 desvios. Sua natureza é dinâmica. Alguns raciocínios que surgem durante o divagar da mente tendem a orbitar algumas

31 pendências pregressas e podem trazer momentos "Eureca", que talvez não seriam alcançados durante a exaustiva busca por

32 uma solução.

33 Impasses mentais acontecem, e por vezes a concentração humana se desvia do obstáculo. A razão, então,

34 automaticamente se envolve com outra atividade, cuidando de temas aleatórios. O problema fica incubado, submerso a nossa

35 consciência. O que acontece durante o período de incubação é um mistério, não sabemos aquilo que se passa em subsolo

36 cerebral. Mas em meio à diversidade de pensamentos erráticos, uma solução pode ser encontrada.

37 Imerso em pensamentos e sentimentos, alguém pode perder-se em devaneios. Porém, as simulações mentais podem

38 revelar aspectos da realidade. A diversidade dos pensamentos fortuitos, e não o foco em uma ideia repetitiva, é uma determinante

39 da criatividade.

(Luciano Magalhães Melo. https://www1.folha.uol.com.br/colunas/luciano-melo/2022/06/a-divagacao-da-mente-o-fluxo-dos-erros-e-a-criatividade.shtml. 7.jun.2022, com adaptações)

Alguns exemplos são típicos em doenças mentais, como as ruminações melancólicas, características da depressão; as obsessões, identidade do transtorno obsessivo-compulsivo; o sonhar acordado, comum aos que têm transtorno de déficit de atenção. (linhas 4 a 6)

Assinale a alternativa em que se tenha construído pontuação igualmente correta para o período acima.

 

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