Os textos abaixo são bases para responder a questão 59.
Texto XI

DIAS-PINO, Wlademir. A ave. 1956. In: MENEZES, Philadelpho. Roteiro de leitura: poesia concreta e visual. São Paulo: Ática, 1998. p. 56.

DIAS-PINO, Wlademir. A ave. 1956. In: MENEZES, Philadelpho. Roteiro de leitura: poesia concreta e visual. São Paulo: Ática, 1998. p. 56.

DIAS-PINO, Wlademir. A ave. 1956. In: MENEZES, Philadelpho. Roteiro de leitura: poesia concreta e visual. São Paulo: Ática, 1998. p. 56.
Texto XII
Transcrição do poema “A Ave”
A ave VOA deNtro De sua cor
sua Aguda cRISTA ComplETA A solidão
Polir o VOO mais que A um ovo
que tatEaR é seu coNtorno?
Assim é que ela é tetO De seu olfato
A curva amarga s(e)u VOo e fecha um TEMPO com sua forma
(DIAS-PINO, Wlademir. Curadoria editorial Alberto Saraiva e Regina Pouchain. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2010, p. 114-119)
Opondo-se radicalmente à discursividade da poesia, publica-se em 1956 AAVE. De autoria do poeta, designer e artista visual Wlademir Dias-Pino (1927-2018), essa obra figura como importante marco na história das vanguardas poéticas brasileiras como o Concretismo, enveredando, posteriormente, por diferentes vanguardas brasileiras e latino-americanas do século XX, a exemplo do Intensivismo, do Neoconcretismo e do Poema-processo. Assim, a partir do conhecimento das tendências contemporâneas da literatura brasileira e da leitura dos textos acima, pode-se afirmar que:
I- A superposição do desenho de linhas impressas no papel sobre a página onde se encontram algumas palavras soltas (texto XI), cria um trajeto de leitura que orienta o olhar do leitor e dá sentido ao conjunto: a ave voa dentro de sua cor.
Il- A leitura dos poemas convidam a uma reflexão verbal, visual e tátil sobre o voo de uma ave como imagem artística que é produto de engenho (poético) e engenharia (combinatória).
III - A transcrição do poema (texto XII), necessária à sistematização de elementos verbais no poema, não faz jus, porém, a uma provocação primária colocada por A AVE (Texto XI). Afinal, se naquela temos as palavras justapostas horizontalmente em sentenças da esquerda para a direita, interrompidas arbitrariamente ao fim da linha, conforme convenções da poesia discursiva em línguas ocidentais, o que Dias-Pino propõe neste é de outra ordem: uma leitura geométrica.
IV - Uma das metáforas visuais presentes nos poemas (Texto XI) pode ser associada ao ato de leitura e a um livro com suas páginas abertas, de sorte a remeter à anatomia de uma criatura alada, cujo voo conotasse os deslocamentos simbólicos a que estão sujeitos todos os que leem.
Estão CORRETAS somente as afirmativas: