Magna Concursos
1686700 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: PROGEP-FURG
Orgão: FURG

Vale a pena abandonar o Brasil?

GUSTAVO CERBASI

Nunca se falou tanto sobre planos de mudança de brasileiros para o exterior. O turismo internacional, intenso nos últimos anos, apresentou aos viajantes o néctar da civilidade. Como uma criança que compara seu lar ao do colega, descobrimos como é a vida nos países em que impostos são efetivamente usados para o bem público, em que o capitalismo é democrático e em que a educação é levada a sério.

Famílias de diversos níveis de renda têm feito contas para jogar tudo para o alto, em busca de uma vida menos sofrida, menos violenta, menos insegura e com mais perspectivas para seus filhos. Não é uma decisão fácil, pois os componentes desses planos não são apenas racionais.

Ao fazer as contas, deduzimos que, com bem menos do que ganhamos aqui, vivemos melhor lá. Há falhas nessas simulações. Poucos levam em conta que os impostos sobre renda, investimentos e herança são maiores no exterior. Ao comparar preços de imóveis, automóveis e gastos cotidianos, também é fácil esquecer os impostos sobre o consumo – no exterior, eles não costumam estar embutidos nos preços. Mas é fato: morar na América do Norte e em alguns países europeus sai mais barato que no Brasil.

Deixando as contas de lado, é preciso fazer uma análise qualitativa dos aspectos emocionais da mudança. Sua família conseguiria viver muito tempo sem aquilo que lhe é familiar? Amigos, parentes, hábitos de fim de semana, nossa música e idioma, nosso histórico profissional e educacional? Não se deve desprezar que, em outros países, enquadramo-nos apenas na categoria de latinos, sujeitos a toda sorte de preconceitos – incluindo o bullying de nossos filhos na escola.

Morei alguns meses no exterior e experimentei o impacto psicológico da distância. Foi no Canadá que aprendi a gostar de MPB e feijoada, antes neutros em minha vida.

A complexa decisão exige também que ponderemos entre o sentimento de fracasso ao jogar a toalha e o dever cívico de engrossar o coro da mudança e construir o futuro que hoje não temos. Se queremos boa educação para nossos filhos, sobram aqui oportunidades de darmos exemplo para uma necessária transformação. Mas é preciso contar menos com governos e agir mais como cidadãos.

Não é fácil. Tom Jobim dizia que morar nos EUA era bom, mas era uma m... E que morar no Brasil era uma m..., mas era bom. Nada mudou. Morar fora é como trabalhar num emprego de que você não gosta, mas que paga muito bem. Ficar no Brasil é como comprar um carro muito mais caro do que você pode pagar. A decisão de abandonar o navio ou de ficar depende de nossa consciência em relação ao que pesa mais: o emocional ou o racional. A resposta, sem dúvida, está em cada um de nós.

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cerbasi/noticias//2014/04/bvale)-peria-babandonár-o-brasil. html10104/201407hOO-Atualizadoem1o/o4/201408h39

TEXTO 2

Morar no Brasil é "sonho" internacional

Quem mais tem vontade de; vir para o Brasil são os argentinos: 6% se mudariam para cá se tivessem a chance

Lucas de Abreu Maia e Rodrigo Burgarelli

São Paulo O Brasil é um dos 12 países mais cobiçados para se morar, segundo uma série de pesquisas feitas em 65 nações pelo WIN – coletivo dos principais institutos de pesquisa do mundo – e tabulada pelo Estadão Dados.

O crescimento econômico na última década, aliado à boa imagem cultural do País no exterior, fizeram com que o Brasil fosse citado como destino dos sonhos por moradores de dois em cada três países onde foi feito o estudo.I

Na lista dos destinos mais cobiçados por quem não está feliz na terra natal, o Brasil é o único da América Latina, o único Bric (grupo formado por Brasil, Rússia, China e Índia) e a única nação ocidental em desenvolvimento. As pesquisas foram feitas no fim do ano passado e ouviram mais de 66 mil pessoas ao redor do globo.

Elas foram questionadas se gostariam de morar no exterior se, hipoteticamente, não tivessem problemas como mudanças ou vistos e qual local elas escolheriam.II Por isso, os resultados dizem mais sobre a imagem dos destinos mencionados do que com imigrantes em potencial.

Se esse desejo virasse realidade, o Brasil receberia em torno de 78 milhões de imigrantes nesse cenário hipotético. Mas, em um mundo sem fronteiras, a população do País diminuiria – 94 milhões de brasileiros se mudariam para outras nações, se pudessem.III Ainda assim, 53% dos brasileiros não desejam emigrar, porcentual acima da media mundial.IV

Quem mais tem vontade de vir para o Brasil são os argentinos: 6% se mudariam para cá se tivessem a chance. O Brasil também está entre os cinco mais cobiçados por peruanos e mexicanos. Mas não são apenas latinos que gostariam de viver aqui.

Os portugueses acham o Brasil mais atrativo do que a Alemanha, os italianos o preferem à França, os australianos o consideram o segundo país mais desejável, os libaneses o colocam em posição tão alta quanto a Suíça e até no longínquo Azerbaijão o Brasil aparece entre os quatro destinos mais sonhados, na frente até dos Estados Unidos.

https://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,morar-

no-brasil-e-sonho-internacional-1117191.0htm Acesso em 14 de maio de 2014

A questão refere-se aos textos 1 e 2.

I. " O crescimento econômico na última década, aliado à boa imagem cultural do País no exterior, fizeram com que o, Brasil fosse citado como destino dos sonhos por moradores de dois em cada três países onde foi feito o estudo.

II. "Elas foram questionadas se gostariam de morar no exterior se, hipoteticamente, não tivessem problemas como mudanças ou vistos e qual 'local elas escolheriam."

III. "Mas, em um mundo sem fronteiras, a população do País diminuiria .: 94 milhões de brasileiros se mudariam para outras nações, se pudessem."

IV. Ainda assim, 53% dos. brasileiros não desejam emigrar, porcentual acima da média mundial.

Assinale a opção em que o trecho destacado por vírgulas desempenha exatamente a mesma função sintática que o trecho destacado no seguinte período retirado do texto 1: "Não se deve desprezar que,. em outros· países, enquadramo-nos apenas· na categoria de latinos, sujeitos a toda sorte de preconceitos - incluindo o bullying de nossos filhos na escola."

 

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