Diferentes legislações federais, ao versarem sobre as políticas de ações afirmativas, abarcando a discussão sobre a diversidade cultural brasileira e, consequentemente, o reconhecimento de tal diversidade, podem ser consideradas uma conquista política acima de tudo. No entanto, pode-se verificar a continuidade de situações de discriminação e violência, dirigidas às populações negra e indígena. O relato abaixo, sobre fato ocorrido em 2011 no estado do Mato Grosso do Sul, no município de Amambaí, foi redigido pelos estudantes Guarani-Kaiowá da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul e divulgada pela professora da mesma universidade. Ele ilustra a situação ainda vivenciada por tais grupos no Brasil:
“Por volta das seis horas, chegaram os pistoleiros. Os homens entraram em fila já chamando pelo Nísio. Eles falavam segura o Nísio, segura o Nísio. Quando Nísio é visto, recebe o primeiro tiro na garganta e com isso seu corpo começou tremer. Em seguida, levou mais um tiro no peito e na perna. O neto pequeno de Nísio viu o avô no chão e correu para agarrar o avô. Com isso, um pistoleiro veio e começou a bater no rosto de Nísio com a arma. Mais duas pessoas foram assassinadas. Alguns outros receberam tiros, mas sobreviveram. Atiraram com balas de borracha também. As pessoas gritavam e corriam de um lado para o outro, tentando fugir e se esconder no mato. As pessoas se jogavam de um barranco que tem no acampamento. Um rapaz, que foi atingido por um tiro de borracha, se jogou no barranco e quebrou a perna. Ele não conseguiu fugir junto com os outros, então tiveram que escondê-lo embaixo de galhos de árvore para que ele não fosse morto.”
Levando-se em consideração o exposto e a diversidade cultural, afirma-se que