TEXTO
Professor de Redação não é Revisor
O aluno de nível universitário faz sua dissertação de final de curso, na graduação, mestrado ou doutorado. A pesquisa é feita sob a orientação de um professor. Quando este professor lê o texto final, aponta as imperfeições dele, pede que o próprio aluno faça uma correção. Caso houver muitos erros de português, solicitará ao orientando que procure um revisor. O revisor não está preocupado com o processo ensino-aprendizagem: seu objetivo é melhorar aquele texto. Por isso ele faz intervenções, às vezes, drásticas. Essa não é a função do professor de Português, ao avaliar o texto de um aluno, pois sua preocupação é ensinar, conversar com o aluno, deixar um recado na folha de redação.
Na tradição escolar, corrigir é colocar certo ou errado nas questões, apontar erros gramaticais, em síntese, encher a prova ou o texto do aluno de rabiscos vermelhos. E descontar tudo isso na nota. Atualmente, recomenda-se que professores de outras matérias levem em consideração, na avaliação de sua matéria, a variável formal da língua portuguesa, porque isso não é tarefa exclusiva do professor de Português. Quando se fala isso, o professor de História, de Geografia ou de qualquer outra disciplina estrila, dizendo que é injusto descontar nota do aluno por causa de erros de português em suas provas. Tal resposta demonstra a estreiteza de tais professores em sua visão pedagógica, pois confundem medir com avaliar e consideram que avaliar seja punir. Pedir que o professor de outra matéria aponte o erro, converse com o aluno e estabeleça uma comunicação de educador com ele não é para diminuir sua nota. A relação aluno-professor não pode ser burocratizada.
Hoje, há outros métodos de corrigir redação de aluno, mas, se numa escola particular, onde os pais pagam e exigem (às vezes, optam pelo pior), se o professor de redação apontar apenas erros estruturais do texto na avaliação da redação de seu filho, que são muito mais graves do que os erros ortográficos, a reclamação é geral. Até dizem que o professor é preguiçoso. O aluno aprende a redigir, se toda semana compuser um texto e tiver um professor para orientá-lo e não para devolver um texto cheio de anotações em vermelho. Essa situação de escrever para alguém corrigir é artificial, pois não leva em consideração a função social do texto. Por isso, distribuir as redações, para que os colegas leiam, traz muito mais prazer e resultado.
Aquela correção tradicional produz poucos resultados. Adolescentes que têm o hábito de fazer diário, por isso redigem com frequência, são melhores em redação do que os outros.
E ninguém corrige os textos deles. Corrigir, sim, mas de uma forma diferente, com mais diálogo e interação.
Língua Portuguesa. N. 15, p. 43-4.
A ideia central do texto é