Leia o texto a seguir para responder à questão.
Simpatia pelo lobo
O lobo é o grande bicho-papão das histórias infantis.
Criatura da escuridão, de olhos amarelos e devorante boca,
carrasco de inocentes – é o que nos asseguram as fábulas
O lobo e o cordeiro (Esopo, La Fontaine), Chapeuzinho Vermelho (Charles Perrault, irmãos Grimm), Os três porquinhos
(Joseph Jacobs), entre outras.
Não é difícil entender a razão desse estigma: diferentemente das vacas, porcos e ovelhas, o lobo é um dos animais
que, tal como a aranha e a serpente, recusaram a domesticação, permanecendo independentes do homem. Sobre esta
escolha crucial temos o testemunho insuspeito de Esopo.
Convidado pelo cão a trocar as agruras da liberdade pelas
migalhas da servidão, ele retrucou: “Antes livre, mas faminto,
do que gordo, mas cativo!”.
Tendo rejeitado a civilização, o lobo seguiu seu caminho,
irremediavelmente fiel à natureza. Daí ter se tornado a representação sensível da selvageria, dos instintos, dos subterrâneos da alma.
A natureza sabe ser hostil, mas também sabe prover: foi
uma loba etrusca que amamentou Rômulo e Remo. E ela,
sobretudo, sabe ensinar. Como dizia seu aluno Leonardo da
Vinci, todos “aqueles que tomam por mestre a outro que não
seja a natureza, mestra de mestres, se esforçam em vão”.
(Mauricio Puls. Revista Quatro Cinco Um.
Outubro de 2020. Adaptado)