Magna Concursos
319106 Ano: 2017
Disciplina: Português
Banca: UEPB
Orgão: Pref. Patos-PB
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Texto 02 – Para responder as questões 27, 28 e 29 na página seguinte


Apresentamos, abaixo, trechos da entrevista concedida pela assistente social Ângela Maria Pereira, por telefone, em relação à violência sofrida pela mulher, particularmente sobre a realidade do Rio Grande do Sul.Após a leitura, responda às três questões que se seguem:

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IHU On-Line - A cada 2 horas uma mulher é assassinada no Brasil. Que regiões sofrem mais com o problema da

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violência contra a mulher?

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Ângela Maria Pereira da Silva – Eu atribuo esta realidade a questão da impunidade do homem que está em situação de

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violência. A aplicabilidade da Lei Maria da Penha, neste sentido, faz muita diferença. Além da impunidade, outro aspecto

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importante neste contexto é a questão sócio-cultural da violência entre homens em relação às mulheres.

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IHU On-Line – Existe um perfil deste homem?

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Ângela Maria Pereira da Silva – Não tem como caracterizá-lo. Na realidade, há uma série de fatores que conspiram e que

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contribuem para uma postura mais agressiva por parte do homem, o que não justifica a prática de violência. Percebemos que

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muitos dos homens que estão cometendo atos violentos já passaram por situações de violência nas suas próprias vidas, já vêm

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de lares aonde houve situações de violência contra a mulher e acabam perpetuando isto em suas próprias famílias.

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Então, na verdade, esses homens não conseguem ressignificar esta relação de sofrimento e acabam reproduzindo isto com suas

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companheiras. Também temos um número crescente de pessoas que acabam se vinculando às substâncias psicoativas, o que

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desperta um comportamento mais agressivo em algumas pessoas. Além disso, o quadro da pobreza e da miserabilidade também

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afeta o nível de estresse das pessoas e muitas delas buscam a força para fazer valer os seus desejos sobre o outro.

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IHU On-Line – Por que as mulheres têm medo de denunciar?

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Ângela Maria Pereira da Silva – Há um número cada vez mais ampliado de mulheres que estão rompendo com este silêncio.

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Aqui no Centro Jacobina, constatamos que ainda existem fatores que interferem nesse rompimento do silêncio, tais como a

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dependência econômico-financeira, a questão de não ter uma rede de apoio afetiva, onde a mulher possa recorrer em um

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episódio de violência. [...] (Adaptado)


O gênero “entrevista” caracteriza-se pela trama conversacional. A entrevista supracitada evidencia uma situação de interlocução em que se mesclam dois registros - oral e escrito, por se tratar de uma conversa telefônica que passou por editoração. Dadas essas considerações, analise as proposições abaixo, para chegar a um diagnóstico sobre a linguagem utilizada.

I - Por se tratar de uma entrevista, e, como toda entrevista é formal, justifica-se a desobediência às regras estabelecidas nas gramáticas.

II - Os usos dos pronomes relativos e demonstrativos evidenciados no texto denunciam, segundo os linguistas, o processo de renovação da língua, e, sendo próprios da oralidade, não implicam erro, mas uma outra norma linguística.

III - A ausência do sinal de crase na primeira frase do texto “atribuo esta realidade a questão da impunidade” e o uso da vírgula em “... muitas delas, buscam a força para fazer valer os seu desejos” caracterizam erro, por serem marcas do registro escrito.

IV - Todos os fatos linguísticos sob análise no texto (uso dos pronomes, da crase e da pontuação) devem ser avaliados sob um mesmo parâmetro, desconsiderando o tipo de registro, sob pena de prejudicar a compreensão da norma gramatical.

Do exposto, conclui-se que apenas

 

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