Às dez horas da manhã deste dia em que estamos, dois policiais à paisana subiram ao quarto andar e tocaram à campainha. Veio abrir-lhes a mulher do médico, que perguntou, Quem são vocês, que querem, Somos agentes da polícia e trazemos ordem de levar o seu marido para um interrogatório, não vale a pena que se canse a dizer-nos que saiu, a casa encontra-se vigiada, por isso não temos dúvidas de que ele esteja aqui, Não há qualquer razão para que tenham de interrogá-lo, a acusada de todos os crimes, pelo menos até agora, tenho sido eu, Esse assunto não é da nossa conta, as ordens que recebemos são estritas, levar o médico, não a mulher do médico, portanto, se não quiser que entremos à força, vá chamá-lo, e já agora prenda esse cão, não vá acontecer-lhe algum acidente. A mulher fechou a porta. Abriu-a outra vez pouco depois, o marido vinha com ela, Que desejam, Levá-lo para um interrogatório, já o tínhamos dito à sua mulher, não vamos levar o resto do dia a repeti-lo, Trazem credenciais, um mandado, Mandado não é necessário, a cidade está sob estado de sítio, quanto às credenciais, aqui estão os nossos cartões, veja se lhe servem, Terei primeiro de mudar de roupa, Um de nós acompanha-o, Têm medo que eu fuja, de que me suicide, Só cumprimos ordens, nada mais.
SARAMAGO, José. Ensaio sobre a lucidez. São Paulo: Companhia das Letras, 2004, p. 323.
Considerando que as estruturas linguísticas do texto de Saramago seguem regras próprias do autor, assinale a opção em que a reescritura de passagem desse texto está de acordo com a prescrição gramatical vigente para a modalidade escrita formal da língua portuguesa.