O idioma tem lá suas astúcias para manter a ordem do dia, nos limites da civilidade e dos bons costumes. O abrandamento da linguagem é um desses recursos que permite suavizar o que pode soar áspero aos ouvidos e ao espírito. O eufemismo é figura retórica que se presta a isso bem.
Não raro, esses recursos sinalizam para um verniz que pretende cobrir hostilidades. Quando alguém diz que determinada pessoa é “bem bonita de rosto”, lança-se luz às faces da elogiada e cobre-se de manto diáfano as imperfeições das outras partes do corpo. Narradores de futebol adjetivam alguns jogadores como “esforçados” e “táticos” – eufemismos claros que buscam não fazer presente a falta de técnica ou de habilidade do referido atleta.
Há eufemismos que flertam com o ludíbrio, com a má-fé, e não raro ferem a inteligência das pessoas. Quem nunca ouviu algum comandante de polícia dizendo que o policial “possa ter se desviado da conduta padrão na abordagem do suspeito”? Não há dúvidas de que houve violência na conduta e panos quentes na sintaxe e na semântica.
A elegância eufemística é também muitas vezes truculência bem vestida.
Disponível em: https://www.revistaeducacao.com.br. Acesso em: 12 ago. 2019 (Adaptado).
De acordo com o texto, assinale a alternativa correta.