TEXTO I
O TEXTO I, é composto por DOIS FRAGMENTOS de artigos científicos que apresentam definições importantes sobre os conceitos de identidade, coletividade e identidade coletiva.
Fragmento I
Identidade Nacional e Memória Coletiva: aproximações possíveis
Caroline Gonzaga
Douglas Gasparin Arruda
O linguista José Luiz Fiorin (2009, p. 116-117) retratou que a identidade nacional é uma criação moderna: ela começou a ser construída no século XVIII e se desenvolveu plenamente no século XIX, já que antes dessa época não se pode falar em nações propriamente ditas. Podemos compreender que uma nação é feita por um legado de lembranças que é aceito por todos. Sendo assim, a nação é uma herança, tanto simbólica quanto material e pertencer a uma nação é ser herdeiro de um patrimônio comum. Dessa forma, a nacionalidade é também uma identidade. Entretanto, para criar um mundo de nações não bastava fazer um inventário de heranças, era preciso construí-las. Era necessário buscar um fato que pudesse testemunhar um passado prestigioso que representasse uma coesão nacional e esta é uma tarefa longa e coletiva. Assim sendo, a nação nasce de uma invenção e é condensada numa alma nacional que deve ser elaborada. É necessária uma história que estabeleça continuidade com ancestraisA), que elenque heróis e modelos de virtude nacionais, que se organize sob uma única língua e que tenha monumentos culturais, paisagem típica, hino, bandeira, especificidades culinárias, etc. Tudo isso leva a pensar que a identidade nacional é um discurso, e, como todo discurso, é constituída dialogicamente.
(GONZAGA, Caroline; ARRUDA, Douglas Gasparin. Identidade Nacional e
Memória Coletiva: aproximações possíveis. Revista Vernáculo, n° 50 –
segundo semestre/2022. p. 9-33.).
Fragmento II
Autoestima, autoimagem e constituição da identidade: um estudo com graduandos de psicologia
Helena Serafim Vasconcelos
A Teoria dos Estudos Culturais permite discutir a formação da identidade a partir de duas perspectivas distintas e concorrentes: a essencialista e a não essencialista. A primeira define que existe um conjunto cristalinoB) e autêntico de características que todos aqueles que pertençam a determinado grupo partilham e que não se modificam ao longo da história. Já a segunda, foca nas diferenças e nas semelhanças entre os indivíduos que componham certo grupo e deste para com outros grupos, pressupõe formas mutáveis de definição do que seja ser parte deste grupo com o passar do tempo. Nota-se, portanto, que esta última concebe que o ser humano seja capaz de assumir diversas posições identitárias tanto ao longo da própria vida como a partir do contexto social e cultural em que se encontre, afirmando a identidade a partir de um conceito relacional (WOODWARD, 2014). [...].
A perspectiva não essencialista, proposta pelos Estudos Culturais (Woodward, 2014; Hall, 2011) circunscreve o campo teórico desse estudo, permitindo perceber os conceitos de autoestima a partir da contextualização deste aspecto subjetivo na história dos sujeitos.
[...].
As concepções aqui apresentadas sobre a autoimagem, também se organizam a partir dessa perspectiva dinâmica, de múltiplas identidades. Configura-se como uma organização interna de si mesmo, composta por dados de realidade e dados subjetivos de autopercepção (MOSQUERA & STOBÄUS, 2006). Assim, compreende-se a autoestima e a autoimagem como características da subjetividade humana que apresentam um papel importante na forma como uma pessoa se relaciona com outras e consigo mesma, na constituição identitária propriamente dita, que vão, simultaneamente, organizar-se em torno do conceito de identidade aqui trabalhado, como apresentado no diagrama da figura a seguir.

(VASCONCELOS, Helena Serafim. Autoestima, autoimagem e constituição
da identidade: um estudo com graduandos de psicologia. Revista Psicologia,
Diversidade e Saúde. 2017. Agosto; 6(3):195-206). Adaptado.
TEXTO II

TEXTO III
O cuitelinho*
Cheguei na beira do porto
Onde as ondas se espáia
As garça dá meia volta
E senta na beira da praia
E o cuitelinho não gosta
Que o botão de rosa caiaD), iá
Aí quando eu vim da minha terra
Despedi da parentaia
Eu entrei no Mato Grosso
Dei em terras paraguaia
Lá tinha revolução
Enfrentei forte bataia, iá
A tua saudade corta
Como aço de navaia
O coração fica aflito
Bate uma, a outra faia
Os zóio se enche d'água
Que até a vista se atrapaia, iá
*cuitelinho - Regionalismo para beija-flor (cuitelo) beija-flor pequeno.
(VANZOLINI, Paulo; XANDÓ, Antônio. Folclore recolhido. In:
BORTONI-RICARDO, Stella Maris. Educação em língua materna.
São Paulo: Parábola, 2004. p. 59).
TEXTO IV
Aquarela do Brasil
João Gilberto
Brasil!
Meu Brasil brasileiro
Meu mulato inzoneiro
Vou cantar-te nos meus versos
Brasil, samba que dá
Bamboleio, que faz gingar
O Brasil do meu amor
Terra de nosso Senhor
Abre a cortina do passado
Tira a mãe preta do cerrado
Bota o Rei Congo no congado
Canta de novo o trovador
A merencória* à luz da Lua
Toda canção do seu amor
Quero ver essa dona caminhando
Pelos salões arrastando
O seu vestido rendado
Esse coqueiro que dá coco
Oi! Onde amarro a minha rede
Nas noites claras de luar
Por essas fontes murmurantes
Onde eu mato a minha sede
Onde a Lua vem brincar
Esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil brasileiro
Terra de samba e pandeiro
Brasil!
*merencória – melancólica.
(Ary Barroso. Aquarela do Brasil. Odeon: 1939). Adaptado.
Considerando todos os textos presentes, analise as assertivas a seguir.
I - Os textos enfatizam a construção coletiva da identidade nacional.
II - No texto II, não é possível perceber a ideia de coletividade, visto que o posicionamento apresentado é o da própria personagem.
III - Os textos II, III e IV reforçam que a identidade é uma construção pessoal.
IV - A imagem do texto I informa que nossas experiências e vivências individuais são essenciais para a construção da nossa identidade.
Segundo o que se afirma, conclui-se que: