Texto I
Durante certo tempo, julgou-se que a ciência (como a sociedade) evolui e progride. Embora evolução e progresso sejam duas idéias muito recentes − datam dos séculos XVIII e XIX −, são muito aceitas pelas pessoas.
As noções de evolução e de progresso partem da suposição de que o tempo é uma linha reta contínua e homogênea. O tempo seria uma sucessão contínua de instantes, momentos, fases, períodos, épocas, que iriam se somando uns aos outros, acumulando-se de tal modo que o que acontece depois é o resultado melhorado do que aconteceu antes. Contínuo e cumulativo, o tempo seria um aperfeiçoamento de todos os seres (naturais e humanos).
Assim, evolução e progresso pressupõem: continuidade temporal, acumulação causal dos acontecimentos, superioridade do futuro e do presente com relação ao passado, existência de uma finalidade a ser alcançada.
Marilena Chaui. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 1997, p. 256-8 (com adaptações).
Texto II
A Filosofia das Ciências impôs um desmentido às idéias de evolução e progresso, estudando as mudanças científicas. Há uma descontinuidade e uma diferença temporal entre as teorias científicas como conseqüência não de uma forma mais evoluída, mais progressiva ou melhor de fazer ciência, e sim como resultado de diferentes maneiras de conhecer e construir os objetos científicos, de elaborar os métodos e de inventar tecnologias. A ciência não caminha em uma via linear contínua e progressiva, mas por saltos ou revoluções.
Idem, p. 257 (com adaptações).
Em relação aos textos I e II, julgue o item que se segue.
A idéia central do texto II é a explicitação da seguinte inferência que pode ser feita a partir da linha 1 do texto I: julgou-se, mas não se julga mais que a ciência evolui e progride.