Galera à deriva
Estamos um tanto quanto perdidos nos relacionamentos que estabelecemos com os mais novos, ocupem eles o papel de filhos ou de alunos.
Num tempo em que ser jovem é o desejo de todas as pessoas, de crianças a velhos, o papel educativo, que é responsabilidade dos adultos, entra em declínio principalmente por causa das atitudes destes últimos.
Quando conversamos com crianças, falamos como se elas percebessem e entendessem o mundo da mesma maneira que nós. Damos ordens e queremos que aprendam que essas ordens devem ser atendidas para sempre, daquele momento em diante.
Fazemos “combinados”, que são pequenos contratos, como se elas pudessem bancar sua parte nesses acordos.
Damos explicações complicadas a respeito dos fatos do mundo e, paradoxalmente, protegemos as crianças de tudo. Tudo mesmo. Ou seja: de um lado, tratamos as crianças como se já fossem jovens e, de outro, não reconhecemos seu potencial para aprender a avaliar as situações e perceber seus riscos.
E com os adolescentes, como temos agido?
Aí é que a situação se complica. Pelo que tenho observado, como nós tratamos as crianças como se elas fossem jovens, quando elas se tornam adolescentes, há uma tendência a considerá-las adultas antes da hora, antes da entrada na maturidade.
Acontece que a tutela dos adolescentes por parte dos pais e dos professores é fundamental para a finalização do processo educativo e de formação. Sem a presença educativa adulta nessa parte do processo, muitos adolescentes têm ficado à deriva nesse período tão importante da vida. [...]
(SAYÃO, Rosely. In: Folha de São Paulo. 12 mar. 2013. Equilíbrio, p. 8. Adaptado.).
Considere os enunciados a seguir:
I - Os pais têm de entender que os adolescentes não chegaram na idade adulta.
II - Prefiro as crianças aos adolescentes.
III - Esse texto apresenta opiniões nas quais não concordo.
A regência verbal está de acordo com a norma culta