Leia o poema de Manuel Bandeira para responder ao que se pede.
Desencanto
Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca,
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
Eu faço versos como quem morre.
(Teresópolis, 1912)
[A cinza das horas, 1917]
Disponível em: https://wp.ufpel.edu.br/aulusmm/2016/04/02/desencanto-manuel-bandeira/ Acesso em: 08 de novembro de 2022.
Considerando o poema, analise as afirmativas a seguir:
I- Desencanto pode ser considerado um metapoema pelo uso sofisticado da linguagem, podendo ser comprovado, por exemplo, pela construção metafórica do verso “Meu verso é sangue. Volúpia ardente...”.
II- O fazer poético em Desencanto explicita um eu lírico atravessado pela angústia e pelo sofrimento, o que pode ser confirmado, por exemplo, pelo verso “Eu faço versos como quem morre”.
III- O lirismo poético, observado em Desencanto, pode ser considerado uma das contribuições de Bandeira à estética modernista, especialmente na chamada primeira fase do movimento, que propunha uma ruptura radical com a cultura do passado.
Estão CORRETAS as afirmativas: