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2876323 Ano: 2023
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IBGP
Orgão: UNIPAC
Provas:

Leia o poema de Manuel Bandeira para responder ao que se pede.

Desencanto

Eu faço versos como quem chora

De desalento... de desencanto...

Fecha o meu livro, se por agora

Não tens motivo nenhum de pranto.

Meu verso é sangue. Volúpia ardente...

Tristeza esparsa... remorso vão...

Dói-me nas veias. Amargo e quente,

Cai, gota a gota, do coração.

E nestes versos de angústia rouca,

Assim dos lábios a vida corre,

Deixando um acre sabor na boca.

Eu faço versos como quem morre.

(Teresópolis, 1912)

[A cinza das horas, 1917]

Disponível em: https://wp.ufpel.edu.br/aulusmm/2016/04/02/desencanto-manuel-bandeira/ Acesso em: 08 de novembro de 2022.

Considerando o poema, analise as afirmativas a seguir:

I- Desencanto pode ser considerado um metapoema pelo uso sofisticado da linguagem, podendo ser comprovado, por exemplo, pela construção metafórica do verso “Meu verso é sangue. Volúpia ardente...”.

II- O fazer poético em Desencanto explicita um eu lírico atravessado pela angústia e pelo sofrimento, o que pode ser confirmado, por exemplo, pelo verso “Eu faço versos como quem morre”.

III- O lirismo poético, observado em Desencanto, pode ser considerado uma das contribuições de Bandeira à estética modernista, especialmente na chamada primeira fase do movimento, que propunha uma ruptura radical com a cultura do passado.

Estão CORRETAS as afirmativas:

 

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