Texto
Os acontecimentos que convulsionaram o país na primeira metade dos anos 60 e que culminaram com os atos de força que depuseram Goulart não podem ser adequadamente compreendidos sem que se leve em conta o processo de transformação experimentado pelo Brasil desde 1930. Com efeito, a Era Vargas 1930-1945) havia iniciado o esforço de modernização nacional que, sob a ditadura do Estado Novo (a partir de 1937), atingira dimensão mais acentuada. Essa modernização foi bastante impulsionada na segunda metade da década de 50: era o desenvolvimentismo dos Anos JK, sintetizado no Plano de Metas e consagrado pelo lema “50 anos em 5”.
Nessa conjuntura, a Política Externa Independente refletia um quadro internacional favorável à obtenção de margens mais amplas de autonomia por parte das áreas periféricas — com a consolidação das independências na Ásia, o surto de descolonização na África e o advento de novas posições (pan-africanismo, pan-arabismo, neutralismo, pacifismo) alicerçadas no conceito de Terceiro Mundo — e, ante a acentuada radicalização interna, passou a ser alvo da máxima atenção dos grupos em choque.
A. J. Barbosa. Parlamento, política externa e o golpe de 1964. In: E. C. de R. Martins (Org.). Relações internacionais: visões do Brasil e da América Latina. Brasília: IBRI, 2003, p. 251 e 254 (com adaptações).
Considerando a conjuntura apresentada no texto, verifica-se que, passados cerca de trinta anos, a realidade mundial era muito distinta da existente naqueles convulsionados anos 60. No que concerne ao novo quadro histórico que começou a ser consolidado na década de 80 do século XX, julgue (C ou E) o item que se segue.
Há consenso entre os especialistas para explicar as dificuldades aparentemente intransponíveis encontradas pela União Européia (UE) em seu esforço para se transformar em um bloco continental poderoso. Para esses observadores, a falha da UE consistiu em voltar-se exclusivamente para as questões econômicas, deixando de lado aspectos políticos, sociais e culturais.