Leia o fragmento a seguir:
Os avanços na área psiquiátrica brasileira estão colocando um fim nos sistemas manicomiais e a cada dia reintegram mais pessoas com transtornos mentais à sociedade. Porém, os pacientes continuam tomando muitos medicamentos, principalmente os das classes menos favorecidas. As informações são da pesquisa do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas (FMC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) em conjunto com os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) do Estado de São Paulo.
A professora Rosana Teresa Onocko-Campos coordenou as pesquisas realizadas na cidade de Campinas (...). Segundo esta autora, o tratamento em saúde mental está reduzido ao uso de psicotrópicos, medicamentos que agem no sistema nervoso provocando alterações de comportamento e humor. (adaptado)
A pesquisa aponta que o uso crescente destes medicamentos está associado a fatores econômicos. Os pacientes que mais tomam remédios são os mais pobres e com baixa escolaridade. (...) Além do número crescente de prescrições de antidepressivos, a automedicação é outro fenômeno que vem atingindo a população. Segundo a pesquisadora Rosana Onocko- Campos, as pessoas utilizam medicamentos para tentar resolver problemas que fazem parte da vida e não para combater doenças. (adaptado)
Outro problema apresentado pela pesquisa é a centralização da prescrição de medicamentos. Como apenas os médicos têm conhecimento sobre os componentes presentes nas medicações e suas contraindicações, quando os pacientes precisam tirar suas dúvidas, os demais trabalhadores da saúde não sabem informar, o que demonstra uma contradição no sistema de saúde brasileiro. (adaptado)
A pesquisadora da Unicamp ressalta em seu estudo que os pacientes devem se responsabilizar mais por seu tratamento. De acordo com ela, apenas os usuários de medicamentos podem saber se estão melhorando ou não, uma vez que a melhora nesse caso se resume à experiência de estar menos depressivo ou psicótico.
(ROSA, Lauany. Pacientes com transtornos
mentais tomam remédios em excesso, Rede Brasil Atual/saúde, 24 de junho de 2012. Disponível em www.redebrasilatual.com.br. Adaptado)
De acordo com os temas tratados no fragmento anterior, relacionando-os com Dalgalarrondo (2008), Bock, Furtado e Teixeira (2009) e, ainda com o Manual de Procedimentos para os Serviços de Saúde (2001), analise as seguintes afirmativas:
(I) É necessário ter cuidado para não patologizar o sofrimento. Nesse modo de relatar e compreender o sofrimento psíquico, o critério de avaliação é o próprio indivíduo e o seu mal-estar psicológico, isto é, ele em relação a si próprio e à sua estrutura psicológica.
(II) A discussão sobre o que é normal e o que é patológico indica o poder que a ciência tem de, a partir do diagnóstico fornecido por um especialista, formular o destino do indivíduo diagnosticado. Este poder é, historicamente, atribuído à ciência e aos profissionais da saúde e não recebe influências do contexto socioeconômico no qual o paciente está inserido.
(III) A medicalização pode ser necessária no tratamento psíquico, mas não suficiente, como, por exemplo, no caso da psiconeurose profissional, na qual o trabalhador que antes era muito envolvido afetivamente com o trabalho em si desgasta-se e, em um dado momento, desiste, perde a energia ou se “queima” completamente. Nesse caso, a relação do paciente com o ambiente de trabalho pode ser considerada no tratamento.
(IV) A dependência a drogas caracteriza-se por um estado mental e, muitas vezes, físico, que resulta da interação entre um organismo vivo e uma droga psicoativa, entendida como qualquer substância química que, quando ingerida, modifica uma ou várias funções do SNC, produzindo efeitos psíquicos e comportamentais. No caso de tratamento de pacientes que apresentam dependência a drogas, como apenas os médicos podem conhecer as características desta dependência, tanto física quanto psíquica e os componentes presentes nas medicações e suas contraindicações, quando os pacientes precisam tirar suas dúvidas, os demais trabalhadores da saúde devem sempre encaminhá-los para o médico.
Assinale a alternativa CORRETA: