Leia o texto e responda a questão.
Negócio da China
André del Gaudio - www.uol.com.br. 23/09/2014
Diante do estábulo superlotado que é São Paulo, fiz um negócio da China: troquei 75 cavalos por um único pangaré magrelo com selim. Pode não parecer atraente falando assim, mas, pode apostar, fiquei no lucro. Antes, gastava muito para alimentar e manter a saúde da tropa, que sofria para puxar uma carroça pesada. Hoje, tenho só uma boca para alimentar e virei a força de uma dupla pura ação. O retorno é rápido, tonifica e transforma meu corpo enquanto faço meus deslocamentos diários.
Meu ganho predileto desde que troquei o carro pela bicicleta é mesmo no quesito mobilidade. Descobri que me livrar do peso dos 75 cavalos, que ocupavam muito espaço nas ruas, mas nas horas de pico não rendiam quase nada, me deixou bem mais versátil, amigável e silencioso. Ficou muito mais tranquilo e barato estacionar, e também me livrei do seguro.
Todos os dias, ao encontrar cansados motoristas no elevador de serviços, recebo explicações sobre o motivo pelo qual muitos ainda optam pelo carro. Logo pela manhã, recém-chegados das vias entupidas, olham para o capacete em minhas mãos e já lançam um comentário ou uma pergunta. Uns querem saber de onde venho, ao que prontamente retrucam com suas distâncias proibitivas. Outros quase pedem desculpas, dizendo que, sim, fazem exercício aos fins de semana.
Curioso mesmo é no fim do expediente quando estacionam o olhar cansado sobre o capacete, como se assistissem ali ao filme que logo irão encenar. Soltam até um pequeno suspiro, desesperançado.
Acho que já deu para perceber que estou bem feliz com a escolha que fiz. Não me faltam motivos para isto: é mais saudável, barato, rápido, limpo, divertido e, por que não dizer, ético.
É como se tivesse aberto minha própria caixa de força e virado a chave gasto/estresse para ganho/saúde. Nunca Hz a conta do real gasto mensal do carro porque sempre tive medo da resposta. Só de pensar na manutenção, peças, combustível, lavagem, multas, já ficava arrepiado. Agora meu gasto foi reduzido a míseros R$ 23,00 por mês. Além disso, eu garanto 1h10min de atividade física.
Por mais que a tentação de voltar para as quatro rodas me ronde constantemente e as propagandas me falem o tempo todo do tremendo sucesso que eu serei quando adquirir o mais novo modelo, ainda prefiro ser o sucesso do elevador.
Não prego a troca imediata do carro pele pedal, porque ainda existe um grande exército de trabalhadores que precisa vir de longe para a labuta, sem muita alternativa ao transporte coletivo ou ao carro. Quem se arriscaria na Regis Bittencourt de bicicleta em direção ao centro? Confio mesmo é no leitor que mora relativamente próximo ao trabalho e que pode parar para pensar nos argumentos apresentados. Afinal, queremos uma cidade, não um estábulo!
André del Gaudio usou inúmeras vezes a palavra "que" no texto, como em: "Estacionam O olhar cansado sobre o capacete, como se assistissem ali ao filme que logo irão encenar". No período citado, " que" (sublinhado) é um pronome relativo, pois se refere a um termo anterior ( filme). A palavra sublinhada também é um pronome relativo em todas as alternativas a seguir, EXCETO em: