Leia o texto abaixo e responda à questão proposta.
Os 300 de Beltrame
Eles têm a energia típica dos iniciantes, boa formação escolar e vontade de mudar tudo isso que está aí. Muitos falam outros idiomas, moram na Zona Sul da cidade e já tiveram, em maior ou menor grau, experiência internacional. George Eisenstein, 25 anos e nome de cineasta russo, estudou comércio exterior no Canadá. Carla Batista, 27 anos, formou-se em turismo, fala inglês e um pouco de alemão. Bruno Drummond Andrade, 24 anos, cursa o 8º período de pedagogia na Uerj, é fluente em espanhol e se orgulha de ser parente distante do poeta Carlos Drummond de Andrade. Com tais credenciais, essa turma poderia arriscar uma gama variada de carreiras profissionais. Para surpresa de parentes e amigos, no entanto, o trio contrariou todas as expectativas e escolheu ser... policial militar. Isso mesmo. Desde junho, George, Carla, Bruno e outros 300 recrutas estão enfurnados em Sulacap, longínquo subúrbio do Rio, onde enfrentam um treinamento rigoroso para sair dali soldados da PM. O novo pelotão, com formatura marcada para o dia 16 de dezembro, carrega uma enorme responsabilidade: eles são a grande aposta do secretário estadual de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, para promover uma metamorfose vital na atuação e na imagem da corporação fluminense. Em alguns círculos, já são chamados de “os 300 de Beltrame”, uma referência ao filme 300, cujo enredo conta a luta dos guerreiros de Esparta contra o poderoso exército do rei persa Xerxes (interpretado na obra pelo ator carioca Rodrigo Santoro).
A preparação desses recrutas não se compara à de um cidadão de Esparta, mas é espinhosa o suficiente para os padrões atuais. De segunda a sexta, eles se submetem a nove horas diárias de aulas. (...)
Em teoria, os novos soldados terão passado pelo mais exaustivo e completo treinamento na história da PM. Mas como mudar toda a cultura da corporação, fazendo com que estes sejam o modelo para o restante da tropa, e não o contrário? (...)
Missão das mais difíceis, a mudança de mentalidade de uma corporação policial não só é possível como já foi realizada antes. Na década de 90, Nova York deixou de ser uma das cidades mais violentas do mundo para ostentar índices invejáveis de criminalidade, graças aos esforços do prefeito Rudolph Giuliani, que implantou o programa Tolerância Zero.(...)
Toda grande mudança tem um começo. Mesmo quando ninguém acredita, quando a situação parece fora de controle, um grupo de pessoas resolutas pode fazer diferença. Na turma de novos recrutas, vontade e determinação parecem não faltar. “Busquei o desafio”, conta Fernando Henrique Peixoto Alves, 25 anos, morador de Botafogo, ao explicar sua opção. Formado em educação física, ele foi professor em colégios da Zona Sul, como o Sion e o Imaculada Conceição, e poderia ter seguido normalmente sua carreira, mas quis alterar o destino dramaticamente. O mesmo sentido de missão permeia boa parte dos formandos. “Não posso só ficar esperando a Segurança Pública fazer algo por mim. Eu vou fazer a minha parte”, diz George Einsenstein, um dos alunos do início desta reportagem. “Estou realizando meu grande sonho”, vibra Carla Batista, solteira, porque o namorado não aceitava sua escolha. Obcecados em fazer história, “os 300 de Beltrame” começaram a sacrificar a vida pessoal em busca de um ideal. Mas daqui por diante tudo ficará mais difícil e as cobranças vão aumentar. Afinal, esses novatos carregarão um fardo e tanto: ser o embrião de uma Polícia Militar honrada, que inspire e orgulhe o cidadão carioca. Vão conseguir? Quantos ficarão pelo caminho? O Rio, de dedos cruzados, torce por eles.
Sofia Cerqueira, in Veja Rio, 25 /11/ 2009
De acordo com a analogia feita na conclusão do primeiro parágrafo, o poderoso exército do rei Xerxes, corresponde, no texto: