Educação domiciliar tem 2 milhões de adeptos nos Estados
Unidos
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RAUL JUSTE LORES
DE WASHINGTON
DE WASHINGTON
No bairro de Fort Greene, no Brooklyn, em Nova York, 15 crianças de seis famílias aprendem matemática, geografia e educação física enquanto estudam a Copa do Mundo de 2014.
O que elas têm de incomum é que nenhuma está matriculada em uma escola. São educadas pelos pais em casa e acabaram criando uma comunidade, em que pais ensinam uma especialidade própria aos filhos dos outros.
Hoje, nos EUA, 2 milhões de crianças não frequentam escola. O último censo, de 2007, falava em 1,5 milhão.
"No passado, escolarização doméstica era coisa para famílias religiosas, que tinham 12 filhos e não queriam escola laica, ou de ex-hippies. Era algo rural ou suburbano", diz Brian Ray, presidente do National Home Education Research lnstitute, um centro de estudos em Washington. "Só na última década tornou-se algo urbano'', diz. Ele estima que 300 mil crianças estejam na categoria de filhas de paisbem educados e urbanos, que acreditam poder fazer melhor que os professores em salas de aula maiores e mais heterogêneas.
Com o fenômeno do "faça você mesmo'' em alta, que estimula hortas no quintal, cervejas artesanais e uma vida mais orgânica, o eduque você mesmo virou uma opção à educação padronizada.
Professor da Universidade Georgetown, em Washington, Paul Elie, 47, decidiu educar os três filhos em casa depois que uma mudança burocrática o impediu de matriculá-los em uma escola pública no bairro vizinho. "As particulares podem cobrar até US$ 40 mil pela anuidade de uma criança de sete anos, o mesmo valor de uma anuidade na faculdade, e, na pública onde meus filhos estavam, tinha uma professora substituta de 23 anos'', reclamou.
"Com a flexibilidade nos nossos horários de trabalho, decidimos encarar o desafio", conta o professor à Folha. Ele passa uma hora e meia diária ensinando osfilhos, e sua mulher, Lenora, duas horas e meia. Os dois têm dois gêmeos de 10 anos e uma menina de 8 anos.
A mãe ensina história, geografia e redação, enquanto o pai dá aulas de matemática e inglês: "Achei na rede o material didático de matemática de Cingapura, muito melhor que o americano, e comprei tudo", diz o professor.
PROVAS E TUTORES
No grupo de famílias que abraçaram a educação caseira junto com Elie, um pai que é cientista ensina ciências às 15 crianças e as leva regularmente ao Museu de História Natural de Nova York.
Uma mãe que fala francês ensina o idioma à criançada e não raro eles saem em passeios para aprender a fotografar e a desenhar a cidade.
Graças às décadas de pressão de grupos religiosos, a educação em casa é legal nos EUA, mas a regulamentação varia muito entre Estados e até de cidade para cidade.
Em geral, os pais devem registrar seus filhos no departamento de ''homeschooling'' da Secretaria de Educação local, onde receberão uma lista com o currículo mínimo exigido para a idade e sugestões de leituras e materiais.
As crianças devem se submeter a provas até três vezes por ano, que checam se estão autorizadas a "passar de ano" pelo sistema tradicional.
Alguns pais ensinam todas as disciplinas. Outros focam em suas especialidades e contratam tutores ou usam cursos on-line para matérias mais complicadas.
Mas, além da dúvida sobre o talento dos pais para ensinar as crianças e da paciência para aquelas com maior dificuldade de aprendizagem, outra questão normalmente levantada é a falta de socialização que é parte fundamental de uma aula -- com suas colaborações, equipes, competições e debates.
Por isso, boa parte da nova geração de "homeschoolers" urbanos tem se reunido em associações ou grupos informais para aproveitar o conhecimento dos veteranos, criar aulas com novos especialistas e promover atividades lúdicas. Uma associação de pré-escola caseira em Washington reúne 80 famílias.
Quando termina a "educação em casa"? Pode chegar até o fim do equivalente ao ensino médio (2º grau) americano. O professor universitário Paul Elie diz que quer seus filhos na universidade e que o "homeschooling'' é uma amostra de uma boa faculdade. "Temos apresentações de especialistas, ensino customizado, conteúdos que variam dia a dia e ano a ano. Sem tédio e sem notas, com a finalidade de aprender de fato, é esse ambiente 'universitário' que meus filhos já identificam como educação."
(Disponívelem www1.folha. uol.com.br/
equiIibrioesaude/2013/05/1285 62 2-educacaodomiciliar-te m-2-miIhoes-de-adeptos-nos-estados-unidos.shtm 1)
Considerando o fragmento '' '(...) tinha uma professora substituta de 23 anos', reclamou'' e tendo em vista todo o texto no qual ele está inserido, assinale a alternativa incorreta.