A idéia é que homens e mulheres são produzidos socialmente e esta produção se dá em múltiplas instâncias sociais: dá-se através dos discursos, das doutrinas, das imagens, dos símbolos, na escola, na família, na igreja, através da mídia; enfim, ser homem e ser mulher é um processo que não está pronto na hora do nascimento da pessoa. É um processo que se dá ao longo da vida e se dá de acordo com as múltiplas influências e instâncias.
Ser homem ou ser mulher, hoje, é diferente de ser homem e ser mulher no início do século passado. Ser mulher, hoje, branca, de classe média, é diferente de ser mulher negra na África do Sul, hoje. Portanto, há uma transformação dos conceitos de masculino e feminino, não só ao longo do tempo, mas também internamente em uma mesma sociedade e em sociedades diferentes. É um elemento que nos auxilia a fixar a idéia de que existem modelos, muitos projetos, muitas formas de ser homem e de ser mulher.
O que sabemos é que ser homem e ser mulher pode-se dar de muitas formas e que os diferentes modos de ser têm motivações muito mais sociais do que naturais. Não podemos negar que há elementos biológicos na caracterização do masculino e do feminino. Só que esses elementos estão articulados em um social. E, das articulações do biológico com o social, pode-se chegar a uma espécie de naturalização do social.
Todas as reflexões apontam-nos para o quanto, socialmente, as construções de masculino e de feminino não visam nos fazer apenas diferentes, mas desiguais.
Helena Confortin. Discurso e gênero: a mulher em foco (com adaptações).
Com referência ao texto acima, julgue o item a seguir.
O trecho inicial do segundo parágrafo, "Ser homem (...) hoje", fornece ilustrações e exemplos de como deve ser entendida a expressão "múltiplas instâncias sociais", que, por sua vez, indica como homens e mulheres são "produzidos socialmente".