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Texto 1
SAUDADES
Minha mãe não era bonita, mas, quando ela chegava, ela existia diferente das pessoas em volta. Eu via minha mãe com seus defeitos lindos: cabelo crespo demais (na época não era moda) e um jeito deselegante de se vestir. Herdei as duas coisas: nunca estou penteada, nem bem vestida, por mais que me esforce. Aliás, quanto mais eu me esforço, pior fico, tal qual minha mãe.
Eu herdei os defeitos dela, mas as qualidades, não. Porque minha mãe tinha uma qualidade fantástica: sabia dizer “não” com total desenvoltura.
– Trude, você quer vir jantar amanhã na minha casa?
– Não.
E mais ela não dizia, quando não tinha vontade. As pessoas esperavam uma mentira educada, tipo “já tenho outro compromisso, que pena”, mas Trude dizia um “não”, e ficava com o rosto tranqüilo, sem sentir qualquer mal-estar. Que inveja!.
Um dia, minha mãe viajou para sempre. Até nisso ela foi verdadeira. Veio jantar comigo, jantou, jogou xadrez com meu pai, de quem estava separada há muitos anos, foi ver televisão. Era um filme sobre os índios, a festa do Quarup. Aí, mamãe disse:
– Que lindo!
E depois, mamãe partiu para sempre. Ainda tentei não acreditar, mas ela tinha ido embora, numa ambulância que não combinava com ela. Fui atrás, ainda vi sua mão me dando um adeus e seu sorriso brincalhão. Depois, não vi mais.
Muitas vezes penso se a gente deve contar para os jovens as coisas de despedidas e mortes. Mas acho que essas coisas existem e não acontecem somente com os outros.
Eu fiquei muito triste quando mamãe morreu. Cheguei a sentar muitas vezes numa poltrona de couro, onde ela sentou pela última vez. Sento na poltrona até hoje, quando algo ruim me acontece. A poltrona virou colo de mãe, está pedindo um estofado novo, está mal vestida ... mas eu gosto dela assim.
Estou contando tudo isso para dizer que, depois que mamãe viajou para sempre, minha vida ainda teve muita coisa boa. É preciso contar tudo isso, porque é verdade. As tristezas grandes, muito grandes, viram lembranças... E, pouco a pouco, a gente sorri de saudade e lembra com ternura. É preciso saber que isso acontece, mesmo sendo triste.
Mas minha mãe era engraçada e não ligava pra morte, nem pra vida.
Sylvia Orthof. Jogando conversa fora.
São Paulo, FTD, 1986
Texto 2
A TELEVISÃO E O PERIGO DA BANALIZAÇÃO DA VIOLÊNCIA
Hoje em dia, a presença da televisão na vida das pessoas na nossa sociedade é algo verdadeiramente marcante. A bem da verdade, não posso negar que a televisão tem prestado uma grande contribuição ao povo; entretanto, há de se reconhecer que ela também é nociva, pois abusa demais das cenas de violência, às vezes até gratuitamente, por mera espetacularização. Veja-se o exemplo dos noticiários. Mesmo sabendo-se que a função deles é informar e denunciar,verifica-se que as emissoras agora entraram numa verdadeira disputa para apresentar as cenas mais horripilantes. Isso sem falar nos “enlatados” americanos que são exibidos sem restrição de horário. Esses filmes exibem sempre enredos ligados à criminalidade, abusando dos chamados efeitos especiais, e envolvendo bandidos e criminosos numa aura de glamour que exerce uma grande influência sobre os nossos jovens. Nessa perspectiva, esses filmes só perdem para aqueles perigosos jogos de computador que estão infestando corações e mentes dos nossos jovens.
Pelo que tenho lido, ou seja, segundo a maioria dos especialistas em comportamento humano, devido à exposição excessiva à violência, o ser humano está perdendo a sensibilidade e a indignação diante dele; noutras palavras, esse fenômeno está se banalizando. Tudo indica, portanto, que o homem está se acostumando à violência e, conseqüentemente, está deixando de amar, respeitar e valorizar a própria vida.
Diante do exposto, resta-me dizer que, se a nossa geração não souber reagir de forma a minimizar essa tendência, não teremos mais condições de recuperar os valores mais sagrados da humanidade, como o respeito, a paciência, a tolerância, a convivência pacífica e o sentimento de solidariedade. E como a situação está ficando insustentável, precisamos repensar bem essa questão, pois, sem dúvida, o futuro dos nossos filhos dependerá da nossa atitude responsável diante do grave problema não só da violência real, mas também da violência televisiva e virtual nos nossos dias.
Zeni Samotto – Psicóloga
Texto 3
Caneca: ícone da geração “verde”
Militantes da causa ecológica, eles repensam o uso de material descartável para evitar agressão ao ambiente.
Adriana Castelo Branco
Agência O Globo
Eles são jovens, engajadíssimos e, desde pequenos, aprenderam a dar valor ao desenvolvimento sustentável. Em casa, separam o lixo para reciclagem; na escola, só usam cadernos de papel reciclado; no dia-a-dia, evitam até andar de carro para não poluir o ambiente. Por conta desse perfil ecologicamente consciente, essa turma – em sua maioria formada por adolescentes e universitários de cursos como Geografia e Biologia – já é chamada de uma forma para lá de peculiar: “geração caneca”. Preservação do planeta e caneca? Achou estranho? A explicação é simples: como eles não usam copos descartáveis por nada, andam para cima e para baixo com suas canecas.
Batismo” precoce ajuda a conscientizar a galera Mas tem gente que é “batizada” mais cedo. Os veteranos do curso de Biologia da Uerj já passam a mensagem das canecas para estudantes do Ensino Médio. Na verdade, passar não é bem o termo. Nas chopadas da faculdade, o objeto é vendido por R$ 1. O trote dos calouros também segue a filosofia save the planet: em vez de pedir dinheiro nas ruas, eles são obrigados a catar e a distribuir saquinhos de lixo na praia. A recompensa? Um kit que inclui a primeira caneca em nível universitário. “Como estudamos em horário integral, é fundamental ter uma caneca, seja para água ou café. Nos encontros de estudantes de Biologia, criamos até o “batuque da caneca”, conta Marcela Otranto, que cursa o sexto período. Verena Lima Van Der Vem, de 20 anos, que está no sétimo período de Geografia, garante que sua geração está bem mais ligada à questão ambiental do que a anterior. ///Leia mais na versão impressa
Texto 4
PROCESSO SIMBÓLICO – É o processo mediante o qual os seres humanos podem arbitrariamente fazer com que certas coisas representem outras. Tal como um mapa representa o território, assim, o processo simbólico representa a realidade. E tal como um mapa deve estar em relação com o território que representa, assim, o processo simbólico deve estar em relação com a realidade. Por mais belo que seja um mapa, de nada servirá ao viajante se não mostrar exatamente a relação dos lugares entre si e a estrutura do território. Da mesma forma, o processo simbólico de nada servirá ao homem se não for uma representação adequada da realidade que substitui.
Texto 5
Muito mais do que isca
Embarque em uma viagem subterrânea pelo mundo curioso das minhocas
Hoje é dia de fazer uma viagem subterrânea! Vamos conhecer um dos mais importantes e incompreendidos animais da natureza: a minhoca. Mas pode guardar a vara de pescar, porque esse bicho é muito mais do que um simples ajudante na caça aos peixes.
A minhoca contribui de várias maneiras para melhorar as propriedades do solo. Para começar, os buracos que ela faz na terra ajudam a arejá-la e permitem que a água circule melhor por ali. Além disso, o seu cocô é cheio de nutrientes que enriquecem o solo. Tudo isso é bom para as plantas, que retiram da terra a água e os nutrientes que precisam para crescer.
A presença de minhocas em um solo, porém, não garante, necessariamente, a sua qualidade. “As minhocas contribuem para a melhoria da terra, mas não são tão eficientes quanto um fertilizante, por exemplo”, explica George Brown, agrônomo da Empresa Brasileira de Agropecuária (Embrapa). Tanto é que existem minhocas na Amazônia, apesar de ser comprovado que o solo de lá, em geral, é pobre.
Mas não é só na Amazônia que existem minhocas. Elas ocupam grande parte do território nacional e em quantidade. O Brasil é o terceiro país com maior número de minhocas do mundo. São cerca de 300 espécies já conhecidas espalhadas por aí. Porém, como são poucos os especialistas que as estudam, a expectativa é que existam muito mais espécies. Pelos cálculos de George, cerca de mil. Ele e sua equipe encontraram 45 novas espécies em poucos meses de busca. Uma delas, do gênero Rhinodrilus, com impressionantes 60 centímetros, chamou a atenção pelas cores, uma mistura de azul com cinza. O que os anima nessa procura é o fato de que muitas minhocas só existem nas proximidades do local onde foram encontradas, ou seja, são endêmicas. “Por isso, é muito provável que se achem novas espécies em lugares nunca antes visitados”, explica.
Pesca, uma ameaça
Porém, enquanto não achamos novas espécies, temos que proteger as que já conhecemos. Você lembra do início do texto quando falamos sobre pesca? Pareceu brincadeira, né? Pois saiba que a pesca é um risco para esses bichos subterrâneos. Isso porque os pescadores descobriram que muitos peixes têm preferência por um tipo especial de minhoca de tamanho grande, os chamados minhocuçus.
Leia com atenção as afirmações abaixo relativas a todos os textos (1 a 5).
1 A função do texto 1 é levar o leitor a fazer uma reflexão sobre fatos marcantes da nossa vida.
2. A função ou propósito do texto 2 é defender um ponto de vista.
3. A função social do texto 3 é anunciar um produto à venda.
4. A função do texto 4 é descrever e conceituar o tópico a que se refere.
5. A função social do texto 5 é simplesmente relatar uma experiência.
Agora, assinale a alternativa que contém os números das afirmações corretas.
 

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