Magna Concursos
3491198 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: MS CONCURSOS
Orgão: IF-AC

Linguagens e Tecnologias na Educação

[Fragmento]

Analisar o surgimento de novas linguagens, a partir da aproximação das tecnologias da comunicação e informação com uma grande diversidade de áreas do conhecimento, exige estabelecer uma panorâmica sobre alguns elementos do desenvolvimento científico e tecnológico do mundo contemporâneo. Nesse sentido, precisamos resgatar alguns desses elementos tentando dar uma dimensão mais ampla ao que vamos tratar nesse texto.

Um dos primeiros aspectos que exige uma reflexão, diz respeito à relação do ser humano com as máquinas. Precisamos pensar historicamente sobre essa relação para podermos compreender melhor algumas das dificuldades que encontramos hoje no uso das tecnologias de informação e comunicação - as TIC - na educação e em outras áreas do conhecimento.

Num primeiro momento podemos associar a palavra “techné”, do grego, à palavra arte. A arte do fazer, aliada à capacidade do homem e, dependente de suas habilidades, no ato de fazer. Como parte do desenvolvimento histórico da humanidade e com o surgimento da ciência moderna, a técnica passa a estar associada ao logos e não mais com o fazer, ou seja, com a razão do fazer. Nesse sentido, surge a tecnologia como sendo uma extensão dos sentidos do homem. Essa razão do fazer está intimamente ligada à intencionalidade, aos sentidos e significados do que se faz.

Até esse momento, a característica básica da relação do ser humano com as máquinas é o fato desta ser sempre uma relação utilitarista-instrumental. A tecnologia aparece como neutra, está posta a serviço do homem, sendo definida socialmente em função do uso que será dado a ela pelo homem. A tecnologia passa a ser quase autônoma, com um desenvolvimento ilimitado, livre de qualquer imperativo ético, o que vem redundando na exploração desenfreada da natureza, com graves consequências para o meio ambiente. Uma das consequências desse tipo de relação é que, com essa perspectiva de tecnologia, a manipulação da natureza passa ser a palavra de ordem, colocando em risco a própria sobrevivência da humanidade. A tecnologia passa então a ser vista como a responsável pela desumanização dos seres humanos. Obviamente, com reações dos próprios humanos.

Na metade do século XIX, o mundo registrou um dos acontecimentos mais emblemáticos dessa relação dos seres humanos com as máquinas. Aquilo que ficou conhecido como o movimento ludista, que iniciou em Manchester na Inglaterra e constitui-se numa manifestação de trabalhadores têxteis desempregados, um movimento de resistência às tecnologias, com diferentes versões para o próprio nome do movimento. Consta que o nome tenha sido dado ao movimento em função de um dos seus lideres ter sido Midlands Ned Ludd, que atacara com martelo um tear, não em ato consciente de resistência, mas com raiva por ter sido espancado por um patrão. Após esse ataque, o grupo liderado por Ludd levantou-se contra os patrões e o sistema fabril e destruiu os equipamentos, o que foi seguido por diversos outros trabalhadores em diversos lugares do mundo (Falcão, 1995).

Vivemos hoje um outro momento dessa relação homem-máquina. Essa nova perspectiva poderia ser sintetizada por uma única palavra: imbricamento. Poderíamos, nessa perspectiva, entendê-la como sendo centrada no fazer da razão (a techné do logos). Máquinas e seres humanos aproximam-se cada vez mais e, principalmente, passa-se a compreender que as máquinas surgem a partir do mesmo processo social que constitui o humano. Não existe, portanto, a tradicional separação entre técnica, cultura e sociedade, que vigorava até pouco tempo. (...)

Nelson De Luca Pretto

Fonte: http://www2.ufba.br/~pretto/textos/endipe2000.htm. Acesso em 14/07/2014.

Atenção ao fragmento: “...é o fato desta ser sempre uma relação utilitarista-instrumental.”

Assinale a alternativa em que o plural da referida palavra se faz de modo idêntico ao de “utilitarista-instrumental”:

 

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