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Uma tia
A tia de Danuza era assim: magrinha, com os ombros curvados; era tão discreta que nunca ficava doente – e, se ficava, não dizia (para não dar despesa); por ser a mais velha de doze irmãos, ficou combinado que nunca se casaria. Naquele tempo, era assim: o destino da mais velha era ajudar a criar os mais novos e cuidar da mãe na velhice.
Como não tinha renda de nenhuma natureza, depois que a mãe morreu, passou a morar ora com uma irmã, ora com outra, fazendo a única coisa que sabia: ajudar. Um parente estava no hospital? Lá ia ela. Alguém da família teve um bebê? Lá estava ela, firme, dormindo em um colchonete para que a mãe da criança pudesse dormir. Caso se apegasse ao bebê, ninguém estava interessado. Depois de cumprida a missão, voltava para casa e não se falava mais naquilo, era um assunto morto.
É doloroso, mas faz parte da vida não dar valor às pessoas que certamente nos amaram. Quantos domingos Danuza ficava lendo e relendo jornais, sem chamar a tia para almoçar fora? Quantas vezes deixou de levar para ela uma caixa de sabonetes ou um frasco de colônia?
O tempo passou, a tia de Danuza morreu. As reações às vezes são lentas; um dia Danuza ficou doente e, no meio da dor, lembrou-se da tia, que teria cuidado dela. Lembrou-se da tia que sempre dizia: Vou rezar muito por você. E Danuza se ressente por nunca ter dito o quanto gostava da tia.
(Danuza Leão. As aparências enganam. São Paulo: Publifolha, 2004. Adaptado)
No trecho – ... era tão discreta que nunca ficava doente... – a palavra destacada tem sentido contrário de