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Leia:
O beijo no escuro
Tudo aconteceu, concluiu ela depois, porque era uma executiva dedicada, que não hesitava em ficar até altas horas da noite no escritório. Não era a única, naturalmente. Muitos faziam o mesmo, e isso também foi importante no incidente que viria a mudar a sua vida.
Era muito tarde quando ela, finalmente, encerrou o trabalho. Com um suspiro, desligou o computador, arrumou-se um pouco, apagou as luzes, saiu e dirigiu-se devagar para o elevador. Não tinha motivos para pressa. Recém-descasada, ninguém a esperava no apartamento.
O elevador chegou. Seis pessoas estavam lá dentro, seis executivos como ela, os seis com suas pastas, os seis com ar fatigado. Nenhum deles era conhecido. Ela entrou, a porta se fechou, a descida começou - e aí veio o blecaute. Completo: a lâmpada de segurança do elevador não funcionava. E ninguém tinha isqueiros ou fósforos. [...] Depois fez-se silêncio, o pesado e tenso silêncio comum nesses momentos.
E foi nesse silêncio, nessa escuridão, que alguém a beijou. Foi surpreendente; tão surpreendente que ela não reagiu. Mas não só por causa da surpresa. Por causa do beijo, também: um beijo tão ardente, tão apaixonado, que ela chegou a estremecer. Jamais alguém a beijara assim, jamais. [...]
SCLIAR, Moacyr. O imaginário cotidiano. São Paulo: Global, 2001. p.49-50. (Fragmento)
A respeito dos verbos destacados no texto O beijo no escuro, faz-se as seguintes afirmações:
I. Os verbos destacados no texto transcrito estão conjugados, predominantemente, no pretérito perfeito e no pretérito imperfeito do indicativo, porque os acontecimentos relatados ocorreram no passado, em um momento anterior àquele em que a história está sendo narrada.
II. O pretérito imperfeito do indicativo é usado para fazer referência às ações ou fatos que, na história narrada, não se concluem, que se prolongam por algum tempo, no passado. O pretérito perfeito do indicativo, por seu turno, indica ações ou fatos iniciados e concluídos no passado.
III. No último parágrafo do texto em análise, a ação nomeada pelo verbo beijar está conjugada, no primeiro período, no pretérito perfeito do indicativo, pois se refere a um episódio específico vivido pela personagem no passado. Já no último período, aparece conjugada no pretérito mais-que-perfeito do indicativo, porque indica um fato ocorrido no passado, anterior a outro fato também passado, ou seja, os beijos anteriores a esse, recebido no elevador.
IV. “Muitos faziam o mesmo, e isso também foi importante no incidente que viria a mudar a sua vida.” Nesse período, a ação nomeada pelo verbo fazer, conjugado no pretérito imperfeito do indicativo, nesse contexto, indica uma ação recorrente. O uso do pretérito perfeito do indicativo do verbo ser (foi), é explicado pela necessidade de o narrador, nesse caso, manifestar-se sobre um fato que se iniciou e foi concluído no passado. A forma viria, conjugada no futuro do pretérito do indicativo, refere-se a um fato futuro com relação a um fato passado.
Está(ão) CORRETA(S):