Bilionário Richard Branson se prepara para fazer viagem arriscada ao Espaço
Richard Branson irá embarcar neste fim de semana em um avião espacial movido a foguete em um passeio de 3,7 mil quilômetros por hora até a borda do espaço. Se tudo correr conforme o planejado, claro. E há muitas coisas que podem dar errado. O motor do foguete pode não acender. A cabine pode perder pressão e ameaçar a vida dos passageiros. E a complicada física envolvida para arremessar o avião espacial para fora – e de volta – da atmosfera da Terra pode destruir o veículo.
Mas Branson está pronto para seguir os passos dos pilotos de teste e funcionários da Virgin Galactic que já voaram no VSS Unity – esse é o nome do veículo que a empresa de Branson, Virgin Galactic, passou quase duas décadas desenvolvendo.
Se tudo correr como planejado, Branson também será o primeiro bilionário a viajar ao espaço a bordo de um veículo cujo desenvolvimento ele próprio ajudou a financiar, derrotando o concorrente nessa corrida espacial, Jeff Bezos, da Amazon, por apenas nove dias. Sempre que os humanos estão em um veículo aerotransportado, há risco envolvido. Segue uma análise de quanto perigo Branson e as três pessoas que viajarão com ele vão correr.
Richard Branson fundou a Virgin Galactic em 2004 depois de assistir a um avião espacial chamado SpaceShipOne lançar um foguete no espaço e, com o feito, merecer o prêmio Ansari X Prize. O inglês comprou os direitos dessa tecnologia. Em seguida, uma equipe de engenheiros começou a trabalhar no desenvolvimento de um veículo maior, capaz de transportar dois pilotos e até seis clientes pagantes em viagens de alta velocidade. O projeto evoluído ganhou o nome de SpaceShipTwo.
A SpaceShipTwo decola de uma pista de avião. Ela é presa sob a asa de uma enorme nave-mãe de fuselagem dupla com quatro jatos e design personalizado. A nave-mãe é conhecida como WhiteKnightTwo. Quando ela atinge pouco mais de 12 mil quilômetros de altitude, o avião movido a foguete que carrega é lançado entre as suas fuselagens gêmeas. Em seguida, o motor do avião espacial é ligado para fazê-lo voar diretamente para cima, acelerando até mais de três vezes a velocidade do som, ou 3,7 mil quilômetros por hora.
Assim que atinge o topo de sua trajetória de voo, a aeronave fica suspensa na microgravidade enquanto vira de barriga para baixo antes de deslizar de volta para um pouso na pista. Da decolagem ao pouso, a viagem inteira leva cerca de uma hora. O VSS Unity – nome do avião espacial tipo SpaceShipTwo que Branson levará ao espaço e o primeiro a fazer a jornada completa – completou três voos de teste bem-sucedidos até agora. Mas o programa de desenvolvimento da empresa também sofreu atrasos por vários motivos, incluindo um acidente fatal em 2014 que matou um piloto de teste.
Um voo de teste planejado em dezembro também foi interrompido quando o computador a bordo do motor de foguete do VSS Unity perdeu a conexão. Além disso, a Virgin Galactic encontrou um risco de segurança potencialmente sério durante um voo de teste em 2019, como revelou o repórter da revista “The New Yorker” Nicholas Schmidle em um novo livro, “Test Gods”, inédito no Brasil. Uma investigação de segurança foi solicitada para descobrir por que um selo na asa do avião espacial havia se soltado, arriscando a perda do veículo e a vida dos três membros da tripulação a bordo. Ninguém foi ferido no voo de teste, publicamente considerado um sucesso.
Depois do terceiro voo de teste do VSS Unity em maio, a empresa recebeu a aprovação da Federal Aviation Administration (FAA) para começar a levar passageiros. Isso não significa, no entanto, que a FAA – que se concentra principalmente em garantir a segurança de pessoas e propriedades no solo – está garantindo a segurança da espaçonave. Tal decisão cabe à Virgin Galactic, e a empresa fez o anúncio surpresa em 1º de julho de que Branson estaria no próximo voo de teste no domingo (11), tornando-se o primeiro membro não tripulante a fazer a viagem.
Markus Guerster, um profissional da indústria aeroespacial que foi coautor de um estudo de 2018 sobre os riscos do turismo espacial suborbital, disse que nunca é um momento perfeito para uma empresa considerar sua espaçonave segura o suficiente para transportar civis. “É uma decisão meio difícil de se tomar, a de estar pronto ou não, porque ainda existe algum risco. Mas, se você não tentar, também não aprenderá”, afirmou Guerster. “Acho que o primeiro grupo de pessoas que vai voar reconhece o risco. Há muitas pessoas por aí que escalam o Monte Everest”.
Fonte: Jackie Wattles, CNN Business. Disponível no endereço eletrônico: https://www.cnnbrasil.com.br/business/2021/07/08/bilionario-richard-branson-seprepara- para-fazer-viagem-arriscada-ao-espaco Acesso em 09 de julho de 2021.
Assinale a alternativa cujo termo em destaque estabeleça uma circunstância de tempo: