Instrução: As questões de números 01 a 15 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.
O preço da vida
Por Marcelo Rech
01 Certa vez, em viagem ao Japão, notei que o motorista do ônibus colocava um calço na roda
02 dianteira sempre que o veículo estacionava, mesmo que não fosse em uma ladeira íngreme.
03 Intrigado, perguntei por que fazia aquilo.
04
É para o caso de falharem os freios motor e de mão.
05 Em um arquipélago abatido por terremotos e tsunamis, segurança é uma questão cultural
06 e de educação, acima de tudo. Os japoneses aprendem desde a infância que acidentes são
07 evitados com medidas práticas e que mesmo catástrofes podem ser aplacadas por prevenção,
08 treinamento e cuidados com a vida alheia. É por isso, e não só por temer a punição, que o
09 motorista aplica a terceira camada de segurança ao estacionar.
10 No Brasil, deve-se reconhecer que avançamos positivamente em alguns campos, como a
11 segurança do trabalho e códigos legais que brecaram, por força da lei e da fiscalização, as legiões
12 de mortos e mutilados. Mas ainda falhamos miseravelmente em criar uma mentalidade de
13 segurança.
14 Há quase uma década, na esteira da tragédia da Kiss, a RBS e o Ministério Público Estadual
15 lançaram a campanha Uma Vida Vale Muito, para despertar responsabilidades coletivas e
16 individuais. O alerta segue mais necessário do que nunca. Incêndios ori_inados em estufas,
17 fogões e fios consomem casas e desgraçam famílias. Nas estradas, 25 anos depois do novo
18 código de trânsito, o despreparo, o álcool, a falta de manutenção nos veículos e a
19 irresponsabilidade legam os efeitos de uma guerra a cada ano.
20 A Kiss e seus 242 mortos jamais serão esquecidos. Mas, além de reverenciar as vítimas e
21 buscar justiça, por que o Rio Grande do Sul não ajuda Santa Maria a se tornar um centro mundial
22 de referência em combate a incêndios e prevenção de tragédias? Hiroshima ho_e é um símbolo
23 da paz. Santa Maria poderia vir a ser a primeira grande cidade do país a assumir uma obse..ão
24 com a responsabilidade e, assim, se tornar a capital da segurança no continente.
25 Há muito por fazer. Desde sempre, sabemos que a média diária de mortos por afogamento
26 nos dias de calor no Estado passará de um por dia, o que leva a mais de uma centena de vidas
27 ceifadas por ano, muitas delas de crianças e adolescentes em açudes e rios. A tragédia é ainda
28 maior porque mortes por afogamento quase sempre são evitáveis. Os índices de..abariam se
29 todas as crianças tivessem no currículo aulas de natação – ainda que realizadas em piscinas
30 emprestadas ou alugadas ou mesmo em lagoas, sempre em situações controladas por
31 professores. Outras duas ações contra afogamentos exi_em responsabilidade individual: não se
32 expor ao risco no traiçoeiro mar gaúcho e enfiar na cabeça de adultos que não podem subir em
33 canoas e nem embarcar alguém sem que esteja usando colete salva-vidas. Um colete simples,
34 mas eficaz, custa R$ 49,99. É o preço de uma vida.
(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/marcelo-rech/noticia/2023/01/o-preco-da-vida-cldex5lid002p014s2xig7wst.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Tendo em vista o fragmento “Em um arquipélago abatido por terremotos e tsunamis, segurança é uma questão cultural e de educação, acima de tudo”, assinale a alternativa que apresenta um substantivo.